Paquistão faz prisões para atenuar pressão, dizem indianos

Por Krittivas Mukherjee NOVA DÉLHI (Reuters) - A repressão no Paquistão a militantes suspeitos de envolvimento com os atentados na Índia pode ser apenas uma manobra contra a pressão internacional, disseram autoridades e diplomatas indianos na quarta-feira, cobrando medidas mais incisivas.

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Especialistas dizem que Islamabad sofre uma pressão inédita neste momento, porque os EUA colocam a cooperação com a Índia na investigação dos ataques como parte do compromisso paquistanês de combate ao terrorismo.

"Agora é a hora em que eles têm de estabelecer que não está tudo normal", disse à Reuters um alto-funcionário indiano, pedindo anonimato. "(As atuais medidas) são superficiais. Queremos uma ação que atenda às nossas preocupações."

A Índia espera que o Paquistão entregue mais de 20 supostos militantes envolvidos nos ataques de Mumbai e em outros incidentes. Nova Délhi também pediu ao Conselho de Segurança da ONU que proscreva uma entidade beneficente paquistanesa que serviria de fachada para militantes.

O Paquistão rejeita a extradição de suspeitos.

"Não há nenhuma dúvida sobre a cumplicidade de elementos do Paquistão, inclusive do (serviço de inteligência) ISI", disse a fonte.

A Índia não reagiu oficialmente à prisão de militantes no Paquistão, inclusive dois membros do grupo Lashkar-e-Taiba, citados pela Índia como suspeitos pelos ataques na antiga Bombaim, que deixaram 179 mortos, sendo 26 estrangeiros.

Zaki-ur-Rehman Lakhvi e Zarrar Shah foram detidos num campo de treinamentos na Caxemira paquistanesa e estão sendo interrogados.

Mas a Índia não está satisfeita, dizendo que a ligação do ISI com grupos militantes islâmicos que enfrentam as forças da Índia na disputada Caxemira geram dúvidas sobre a transparência das investigações.

O passado também estimula a desconfiança. O Lashkar e outro grupo militante, o Jaish-e-Mohammad, foram responsabilizados pela Índia pelo ataque de 2001 ao Parlamento em Nova Délhi, que quase provocou uma quarta guerra entre as duas potências nucleares asiáticas.

"Na época o Paquistão baniu ambos os grupos, e Azhar e (o fundador da Lashkar) Hafiz Saeed foram presos para demonstrar ao mundo que eles (Paquistão) estavam agindo", disse B. Raman, ex-chefe da agência indiana de espionagem externa.

"Quando a atenção global se esvaiu, eles discretamente liberaram todos. Desta vez também o Paquistão esperará que o mundo esqueça para que possam voltar a fazer o que têm feito."

Alguns analistas dizem, porém, que desta vez Islamabad está sob pressão muito mais intensa do que em 2001. "Desta vez estrangeiros foram mortos, israelenses foram mortos, e há uma tremenda pressão sobre os Estados Unidos para manter a pressão sobre o governo e os militantes paquistaneses", disse Shashank, ex-secretário indiano de Relações Exteriores.

"O quanto o Paquistão irá cumprir depende de quanta pressão houver do Ocidente, que pode não estar vendo o ataque de Mumbai isoladamente da sua guerra mais ampla contra o terrorismo."

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