Paquistão esquece diferenças e se une à Índia contra terrorismo

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 2 dez (EFE).- O Governo paquistanês atendeu hoje à pressão indiana ao oferecer a criação de uma comissão conjunta para investigar os atentados de Mumbai (antiga Bombaim), enquanto cobrou união a todos os partidos do país, que garantiram apoio na "defesa dos interesses de segurança do Paquistão".

O chanceler do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, reiterou a intenção de seu Governo de cooperar com a Índia para "levar à Justiça os que perpetraram esse atroz ato terrorista" em Mumbai.

Qureshi propôs a formação de uma comissão conjunta que seria presidida pelos conselheiros de segurança nacional de ambos os países e se reuniria "o mais rápido possível para intercambiar informação" sobre o atentado.

A Índia atribuiu os atentados terroristas de Mumbai a um grupo que luta pela anexação da Caxemira ao Paquistão, o Lashkar-e-Toiba (LeT), que tem sua base neste país.

Em comunicado, junto a sua oferta de investigação conjunta, Qureshi pediu que tanto a Índia como o Paquistão evitem "o jogo de acusações e propaganda hostil" que só beneficia os terroristas.

O ministro levou sua oferta a um grupo de embaixadores com quem se reuniu em Islamabad e a mostrou ao povo em discurso televisionado, no qual assegurou que o Exército paquistanês é "totalmente capaz" de defender suas fronteiras em caso de ataque.

O chefe da diplomacia pediu aos paquistaneses que aguardem com calma e evitem cair em uma guerra de acusações com a Índia.

"Temos que ser pacientes e abandonar a dinâmica de acusações", afirmou.

O Governo indiano exigiu ao Paquistão a entrega de 20 terroristas "fugitivos" que se estabeleceram em seu território, entre eles os chefes do LeT, Mohammed Said, e do grupo Jaish-e-Mohamad (JeM), Masoud Azhar.

Ao mesmo tempo, o chanceler indiano, Pranab Mukherjee, descartou que seu país esteja armando uma "ação militar" contra o Paquistão, mas que está à espera da resposta a suas reivindicações.

Qureshi não respondeu à exigência indiana de extradições, mas reiterou as garantias de seu Executivo de uma "cooperação e assistência máxima" à Índia para "levar à Justiça os autores" do massacre de Mumbai.

Fora isso, lembrou que os dois países sofrem com o terrorismo e defendeu a manutenção do processo de diálogo que começou em 2004 e no qual foi "feito um progresso significativo" para o reforço da confiança mútua.

"Estamos convencidos de que aos povos dos dois países convém a continuação do processo de paz e o diálogo", disse.

De fato, o ministro paquistanês tinha se reunido na Índia com o chanceler indiano pouco antes do início dos ataques de Mumbai, que acabaram encurtando sua visita oficial.

O Paquistão emitiu constantes condenações ao atentado, mas, embora em um primeiro momento tenha se mostrado disposto a enviar a Délhi o chefe de seu serviço secreto, Ahmed Shuja Pasha, finalmente disse que tinha havido um "mal-entendido" e acabou designando um representante de cargo inferior.

A oferta de Qureshi antecedeu a realização de uma conferência nacional de segurança convocada pelo Governo, à qual foram dirigentes de todas as forças políticas para pactuar a posição do Paquistão nesta nova escalada de tensão com a Índia.

Segundo um comunicado governamental divulgado após a reunião, de mais de seis horas, os presentes aprovaram de maneira unânime uma resolução na qual condenam os ataques terroristas de Mumbai de forma "enérgica".

Porém, disseram também tomar nota das "infundadas alegações feitas de forma apressada contra o Paquistão", ainda que tenham mostrado seu "desejo de manter uma relação construtiva com a Índia".

"Todos os partidos políticos e forças democráticas apóiam firmemente o Governo e as Forças Armadas em sua defesa dos interesses de segurança do Paquistão", diz a nota.

Outro ponto do comunicado ressalta também "a resolução da nação paquistanesa em defender sua honra e sua dignidade, assim como sua soberania, sua independência política e sua integridade territorial". EFE igb/rr

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