Igor G. Barbero.

Islamabad, 7 ago (EFE).- A morte do líder talibã paquistanês, Baitullah Mehsud, durante um ataque com mísseis dos Estados Unidos, está "quase confirmada", admitiu hoje o Governo do Paquistão, que está apenas à espera de encontrar o cadáver.

Em declarações ao canal de televisão "Dawn", o Ministro de Assuntos Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, afirmou que as informações dos serviços de inteligência indicam que o chefe do Tehrik-e-Talibã Paquistão (TTP) faleceu na madrugada da quarta-feira passada.

"Basta as análises do terreno reconfirmarem o que eu acredito já estar quase confirmado para que tenhamos certeza absoluta", declarou o chefe da diplomacia paquistanesa.

Consultado pela Agência Efe, um porta-voz presidencial disse que ainda não há uma confirmação oficial da morte e assegurou que as autoridades continuam as investigações.

Horas antes, o Ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, tinha dito que várias pessoas teriam morrido vítimas de um dos frequentes ataques de aviões espiões norte-americanos na região tribal do Waziristão do Sul, reduto de Mehsud.

Entre elas, poderia estar o líder fundamentalista.

O ataque atingiu a residência do sogro de Mehsud na localidade de Zangarha e matou uma das duas esposas do líder talibã e sete guarda-costas, segundo Malik.

"Sua esposa mais jovem e ele foram atingidos no ataque. Temos várias informações que confirmam isso, mas precisamos estar completamente seguros de sua morte e para isso queremos ver o cadáver", explicou à Efe uma fonte da principal agência de serviço secreto paquistanês, a ISI, sob condição de anonimato.

Segundo a fonte, os aviões espiões norte-americanos estiveram a ponto de matá-lo em outras ocasiões nos últimos meses, mas foi nesta ocasião que se conseguiu atingí-lo com exatidão.

Outra fonte de inteligência paquistanesa assegurou à "Dawn" que Mehsud já foi inclusive enterrado no povoado de Nardusai, próximo ao ataque.

Um aldeão disse ao próprio canal que assistiu ao funeral de Mehsud, que estava na casa de seu sogro esperando um médico para tratar-se de problemas renais.

Também fontes do serviço secreto americano afirmaram a imprensa paquistanesa que tinham provas de que Mehsud foi morto, embora o porta-voz da embaixada dos EUA em Islamabad, Richard Snelsire, consultado pela Efe, tenha se recusado a comentar "este incidente".

Não é a primeira vez que os serviços secretos dão o líder talibã como morto: em outubro de 2008, o ISI disse que Mehsud, após vários dias em coma, havia falecido vítima dos problemas renais.

Pouco depois, ele acabou se casando com sua segunda esposa.

Dada a pouca presença do Estado paquistanês no Waziristão - batizado pelos fundamentalistas como "Emirado Islâmico do Waziristão"-, as informações que vem desta remota zona acostumam basear-se em testemunhas, líderes tribais ou nos próprios insurgentes.

A suposta morte de Mehsud, considerado pelas autoridades o cérebro dos grandes atentados terroristas registrados no Paquistão durante os últimos anos, coincide com a preparação de uma grande operação militar no Waziristão do Sul.

O Exército reiterou que está na "fase preparatória" desta ofensiva desde meados de junho, mas com a demora para que fosse posta em prática surgiram especulações na mídia sobre um possível acordo entre os talibãs e as autoridades para freá-la.

Agora pode ser a própria morte do líder insurgente o que leve ao cancelamento desta ação militar.

"Tudo depende da resistência que encontremos por parte da cúpula do movimento e de seus associados. Se confirmado o falecimento de Mehsud, fica claro que terá um forte efeito", disse a Efe um porta-voz do Exército paquistanês, Basir Haider.

Mehsud, que já tinha chegado a acordos com as autoridades anteriormente, alcançou notoriedade no final de 2007 quando assumiu a liderança do recém criado TTP, que tenta unir os grupos talibãs paquistaneses.

Inspirado na luta contra as tropas estrangeiras no Afeganistão, Mehsud criou uma rede terrorista que atacou vários pontos do Paquistão e apostou no embate contra forças de segurança paquistanesas, algo que não foi bem visto por outros líderes insurgentes mais partidários em concentrar as energias no Afeganistão.

Nascido na década de 1970 no distrito de Bannu, que faz fronteira com Waziristão, Mehsud lutou contra as tropas soviéticas que invadiram o Afeganistão nos anos 80. EFE igb/fk/bba

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