Paquistão envia tropas à fronteira com Índia e eleva tensão regional

O Paquistão reforçou as tropas estacionadas na fronteira com a Índia, em resposta a uma suposta manobra similar por parte de Nova Délhi, aumentando a tensão entre os dois vizinhos nucleares.

AFP |

Segundo uma fonte militar, o Exército paquistanês está transferindo para a fronteira indiana tropas até então posicionadas no noroeste do país.

No noroeste do Paquistão se encontram as zonas tribais fronteiriças com o Afeganistão, que abrigam talibãs e membros da rede terrorista Al-Qaeda.

Paralelamente, foram canceladas as licenças de todo o pessoal operacional das forças armadas, segundo a mesma fonte, que pediu para não ser identificada.

"Não queremos criar qualquer histeria bélica, mas devemos adotar medidas de segurança mínimas para prevenir qualquer ameaça", afirmou.

Os dirigentes militares paquistaneses imitaram, segundo a fonte, as medidas que acreditam que a Índia tomou nas últimas semanas, depois dos atentados de Mumbai, no final de novembro, que só fizeram aumentar a tensão entre os dois países.

O Exército detectou assim movimentos de tropas indianas nas zonas fronteiriças da região paquistanesa de Lahore.

O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, destacou em Lahore que seu país é "amante da paz" e não tem "propósitos agressivos", mas advertiu que responderá se for provocado.

Um alto oficial paquistanês explicou que um número limitado de tropas foi retirado de zonas nevadas na fronteira ocidental, onde não participavam de qualquer operação.

Os Estados Unidos pediram à Índia e ao Paquistão que não façam nada que possa agravar a tensão bilateral.

"Responsáveis americanos estão em contato, ao mesmo tempo, com indianos e paquistaneses. Nós continuamos a pedir, insistentemente, às duas partes que cooperem na investigação sobre (os atentados de) Mumbai e na luta antiterrorista em geral", declarou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Gordon Johndroe.

"Também pedimos que nenhuma das duas partes tome qualquer iniciativa inútil e que possa aumentar as tensões em um contexto já tenso", acrescentou.

As relações entre Índia e Paquistão se deterioraram com os atentados de Mumbai, que deixaram 172 mortos, incluindo nove de seus autores, e foram atribuídos pelas autoridades indianas a um grupo islamita baseado no Paquistão.

Islamabad exigiu que seu vizinho apresente provas dessas acusações.

Os dois países asseguram que não buscam a guerra, que seria a quarta entre ambos desde sua independência, em 1947, apesar de advertirem que responderão em caso de ataque.

Qualquer movimentação significativa das tropas na fronteira afegã acentua as preocupações dos Estados Unidos e outros ocidentais, já que pode supor uma intensificação dos atentados contra as forças estrangeiras no Afeganistão.

A Índia, por sua vez, recomendou nesta sexta-feira a seus cidadãos que não viajem ao Paquistão por causa das tensões entre os países vizinhos em função dos atentados de novembro em Mumbai.

Segundo um porta-voz do ministério indiano das Relações Exteriores, a imprensa paquistanesa relacionou um atentado na cidade paquistanesa de Lahore com a susposta prisão de vários indianos.

Por este motivo, Nova Délhi acredita que já não é seguro para seus cidadãos viajar ao Paquistão, informou a porta-voz da chancelaria, Vishnu Prakash.

O primeiro-ministro indiano, Manhoman Singh, convocou os dirigentes militares do país nesta sexta-feira para, segundo uma fonte do governo, revisar a capacidade de defesa indiana.

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