Paquistão diz que grupo islâmico será proibido se houver provas

Islamabad, 10 dez (EFE).- O Paquistão afirmou hoje que proibirá a organização Jamaat-ud-Dawa (JuD), se houver provas de seu envolvimento no atentado em Mumbai, como afirmou a Índia, ao reivindicar na terça-feira que a ONU inclua o grupo na lista de terroristas.

EFE |

O conselheiro de segurança paquistanês, Mahmoud Ali Durrani, citado pelo canal "Geo TV", disse que seu Governo ilegalizará o JuD e qualquer outro grupo suspeito de terrorismo.

As declarações de Durrani ocorrem depois que a Índia pediu ao Conselho de Segurança da ONU que inclua em sua "lista negra" de suspeitos vinculados ao terrorismo internacional todos os envolvidos no atentado em Mumbai, entre eles o JuD.

Nova Délhi acredita que, por trás desta organização, que financia escolas corânicas e oferece ajuda humanitária na Caxemira paquistanesa, está escondido o grupo responsável dos ataques, o Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação da Caxemira indiana ao Paquistão.

O LeT está proibido no Paquistão desde 2002, mas fontes diplomáticas e de segurança disseram à Agência Efe que as autoridades foram tolerantes com suas atividades.

O JuD ganhou notoriedade em 2004 por sua ajuda humanitária aos desabrigados do terremoto que atingiu a Caxemira paquistanesa.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gillani, confirmou hoje a detenção durante a operação que as forças de segurança lançaram no domingo na Caxemira paquistanesa contra o comandante do LeT Zakiur Rehman Lakhwi, assim como de seu especialista em comunicações Zarar Shah, segundo o canal privado "Dawn".

Em entrevista coletiva na localidade de Multan, Gillani se negou a comentar a situação do líder de outro grupo caxemiriano, o também proscrito Jaish-e-Mohammed, Massoud Azhar, que foi colocado sob prisão domiciliar.

"Sobre as organizações proscritas (no Paquistão), as investigações estão em andamento. Até me apresentarem conclusões, não posso fazer comentários a respeito", disse o chefe de Governo.

"Se for determinado que algum deles está envolvido (no ataque terrorista a Mumbai), a lei seguirá seu curso", disse, e pediu que não sejam tiradas conclusões sobre os responsáveis do ataque em Mumbai até o fim da investigação.

O Governo de Nova Délhi insiste em que as detenções no Paquistão não são suficientes e exige de Islamabad a entrega de cerca de 20 supostos terroristas envolvidos em grandes atentados na Índia, incluindo o mais recente em Mumbai.

O Executivo paquistanês ofereceu à Índia uma investigação conjunta do ataque e ressaltou que, se houver provas para processar as pessoas reivindicadas por Nova Délhi, estas serão julgadas no Paquistão. EFE igb-amp/an

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