Paquistão diz que Al Qaeda comemorou ataque a hotel Marriott

Por Simon Cameron-Moore ISLAMABAD (Reuters) - Um grupo islâmico desconhecido reclamou a autoria do atentado à bomba ao hotel Marriott em Islamabad no fim de semana, mas a inteligência paquistanesa ouviu membros da Al Qaeda comemorando o ataque.

Reuters |

O caminhão-bomba que matou pelo menos 53 pessoas e arrasou o hotel no sábado trouxe novos temores de uma deterioração na segurança do Paquistão, aliado-chave dos EUA e detentor da bomba atômica.

Um grupo chamado Fedayeen Islam (Partidários do Islã) se disse responsável pelo ataque em uma ligação para um correspondente da rede Al Arabiya sediado em Islamabad.

"Ou é novo ou é uma cortina de fumaça", disse um alto oficial de inteligência. "O que sabemos de fato é que houve muita comemoração nos baixos escalões da Al Qaeda."

Três membros de um grupo islâmico paquistanês conhecido por seus elos com a Al Qaeda foram capturados em Gujranwala, cidade da província central de Punjab, como resultado de escutas eletrônicas horas depois da explosão no Marriott, de acordo com outro alto oficial de inteligência.

A Al Arabiya informou que o grupo que alegou a autoria fez diversas exigências, incluindo o fim da cooperação do Paquistão com os EUA.

Muitos paquistaneses já dizem que a aliança com os americanos incita a violência de militantes islâmicos e que seu país não deveria estar lutando "a guerra americana."

Na terça-feira, os militares disseram que tropas apoiadas por fogo de artilharia e de helicópteros mataram 50 militantes em Darra Adam Kheil, uma região tribal próxima à cidade de Peshawar, no noroeste do país. Mais dez militantes foram mortos em Swat, um vale também no noroeste.

Cinco pessoas foram mortas e várias foram feridas quando um protesto de milhares de pessoas contra o agravamento na segurança em Swat se tornou violento. Os participantes atearam fogo em três instituições bancárias e as forças de segurança dispararam para dispersar a multidão, de acordo com testemunhas e a polícia.

O Exército também lançou uma grande ofensiva na região de Bajaur, na fronteira afegã, e disse que centenas de militantes foram mortos ali desde o final de agosto.

Apesar disso, os EUA têm demonstrado impaciência e querem mais resultados. Ataques de mísseis de aeronaves não-tripuladas contra militantes no lado paquistanês da fronteira se multiplicaram.

O Paquistão alertou seus aliados para que recuem depois que os EUA lançaram um ataque de comandos que matou vinte pessoas, incluindo mulheres e crianças, em um vilarejo fronteiriço no dia 3 de setembro, a primeira operação de tropas terrestres americanas em território paquistanês.

As tropas paquistanesas abriram fogo duas vezes desde então para forçar helicópteros americanos a retornar ao espaço aéreo afegão.

O último incidente foi no domingo, de acordo com um oficial de segurança, embora não tenha havido confirmação oficial.

O presidente Asif Ali Zardari deve se encontrar com o presidente americano, George W. Bush, em Nova York, nesta terça-feira.

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