Paquistão convoca embaixador britânico após declaração de Cameron

Na quarta, premiê britânico afirmou que Islamabad não pode se tornar base de "exportação do terror" pelo mundo

iG São Paulo |

O governo do Paquistão convocou nesta segunda-feira o embaixador britânico em Islamabad para esclarecer declarações do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, sugerindo que Islamabad não se empenha suficientemente no combate ao terrorismo, segundo autoridades.

A declaração de Cameron, feita na semana passada na Índia, causou indignação no Paquistão, levando o chefe de espionagem do país a cancelar uma viagem à Grã-Bretanha. Já o presidente Asif Ali Zardari manteve seus planos de ir a Londres nesta semana.

Uma fonte da chancelaria britânica confirmou que o alto-comissário (embaixador) Adam Thomson foi convocado para uma reunião com o chanceler paquistanês, Shah Mehmood Qureshi. Segundo a chancelaria britânica, os dois discutiram em Islamabad "vários assuntos de interesse bilateral" como a visita prevista do presidente paquistanês à Grã-Bretanha.

AP
Paquistaneses queimam efígie de primeiro-ministro britânico, David Cameron, durante protesto em Karachi (31/07/2010)
Falando na quarta-feira na Índia, país rival do Paquistão, Cameron disse que o Paquistão não pode se tornar uma base para os militantes e "promover a exportação do terror" pelo mundo. "Não é aceitável que existam no Paquistão grupos terroristas que causam terrorismo não só no Paquistão, mas no Afeganistão e na Índia", afirmou Cameron em coletiva conjunta em Nova Délhi com seu colega indiano, Manmohan Singh.

As TVs britânicas deram grande destaque às imagens de paquistaneses queimando fotos de Cameron em Karachi, e o embaixador paquistanês em Londres, Wajid Shamsul Hasan, disse ter-se empenhado pessoalmente em demover britânicos de ascendência paquistanesa de realizar um protesto contra o primeiro-ministro antes da visita de Zardari.

Há na Grã-Bretanha cerca de 1 milhão de pessoas de origem paquistanesa. Zardari participará de um comício para essa parcela da população em Londres, no sábado, depois de se reunir com Cameron na sua residência oficial rural.

A ajuda do Paquistão é crucial para os esforços ocidentais para estabilizar o vizinho Afeganistão, onde a Grã-Bretanha tem cerca de 9,5 mil soldados envolvidos no combate à milícia islâmica do Taleban.

O Paquistão realiza uma ofensiva militar contra insurgentes islâmicos da Al-Qaeda e do Taleban nas suas províncias da fronteira com o Afeganistão. Mas o governo está na defensiva por causa das suspeitas de ligação de órgãos públicos com os insurgentes, corroboradas por documentos sigilosos divulgados na semana passada pelo site Wikileaks .

Declarações mantidas

Em declarações nesta segunda-feira, o Executivo britânico afirmou que Cameron "mantém" os comentários feitos sobre o Paquistão que irritaram o governo de Zardari. "Ele fez referências a algumas pessoas dentro do Paquistão que apoiam o terrorismo, não ao governo do Paquistão", afirmou a porta-voz, depois que o embaixador britânico em Islamabad foi convocado nesta segunda-feira pelo ministro paquistanês das Relações Exteriores.

Apesar disso, ela ressaltou que os dois países mantêm "relações muito boas e muito sólidas". Essa fonte oficial também atenuou a importância dos recentes protestos no Paquistão em reação às recentes declarações do líder britânico, como a queima em Karachi de uma imagem do primeiro-ministro. Segundo o porta-voz, "as pessoas têm direito de protestar".

*Com Reuters, EFE e AFP

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