Igor G. Barbero Rawalpindi, (Paquistão) 21 jun (EFE).

- O Paquistão comemorou hoje em grande estilo, com eventos e homenagens em todo o país, o aniversário do nascimento da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto - assassinada em dezembro -, enquanto as autoridades continuam sem esclarecer quem está por trás do crime.

Milhares de pessoas doaram sangue nas tendas preparadas para a ocasião pelo Partido Popular do Paquistão (PPP) em várias cidades após o líder da legenda e viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, pedir ao povo para fazer este gesto em homenagem à ex-premiê.

"Não vamos partir nenhum bolo ou fazer coisas luxuosas", declarou à Agência Efe um militante do partido, Aduan, que acrescentou que "doar sangue simboliza que Benazir continua viva" entre os cidadãos.

Entre gritos de "Longa vida a Bhutto" e um amplo repertório musical, as multidões se aproximaram do parque de Liaquat Bagh, em Rawalpindi, local em que a ex-primeira-ministra morreu após um comício e onde o Governo construirá em breve um grande monumento em sua memória.

Personalidades políticas prestaram homenagem a Bhutto, que completaria 55 anos hoje.

Em comunicado, o Executivo disse que o aniversário de Bhutto "lembra sua missão para melhorar a sorte dos pobres e dos desfavorecidos e transformar em realidade a meta de um Paquistão estável, desenvolvido e democrático".

Bhutto, cuja imagem e mensagem apareceram hoje em dezenas de anúncios da imprensa local, continua sendo o motor de seu partido, o PPP, que não hesita em capitalizar o apelo popular da ex-primeira-ministra e que usa seu nome para dezenas de causas, leis, fundações e prédios.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, anunciou ontem que o aeroporto internacional, uma rua principal e o hospital geral de Rawalpindi serão rebatizados com o nome da ex-líder do PPP como reconhecimento "a seus serviços à nação".

"Bhutto foi uma grande líder e sua perda ainda é sentida. Estamos em transição, na busca de uma verdadeira liderança. Tomara que seu filho Bilawal e Zardari sejam capazes de consegui-la, mas ainda precisam de tempo", disse à Efe Asim, militante do PPP de Rawalpindi.

O Governo da província de Sindh (sudeste), reduto dos Bhutto, e o Executivo da região do Baluchistão (sudoeste) declararam o dia de hoje como feriado, enquanto no Parlamento os deputados rezaram pela ex-primeira-ministra e fizeram dois minutos de silêncio em sua memória.

Hoje de manhã, Zardari depositou flores no túmulo da ex-líder do PPP, no mausoléu de Naudero, onde está enterrada toda a família Bhutto, lugar para o qual também se dirigiram milhares de pessoas.

Seminários, simpósios, saraus, além de uma passeata de 200 quilômetros, foram alguns dos muitos atos organizados em homenagem a Bhutto, e o serviço dos correios paquistanês emitiu dois selos comemorativos com o retrato da ex-premiê.

Bhutto morreu em 27 de dezembro em Rawalpindi após bater a cabeça por causa da forte explosão de uma bomba detonada por um terrorista suicida, segundo as conclusões dos investigadores paquistaneses e da equipe da Scotland Yard que ajudou a esclarecer o assassinato.

No entanto, as autoridades paquistanesas ainda não descobriram quem organizou o ataque.

Cinco suspeitos de terem executado o atentado que permanecem em prisão preventiva voltaram a comparecer perante o tribunal antiterrorista de Rawalpindi com estritas medidas de segurança.

Além disso, o líder talibã Baitulah Meshud e outras cinco pessoas foram formalmente acusados hoje como principais responsáveis pelo atentado.

No entanto, o Governo, liderado pelo PPP, apresentou recentemente uma solicitação à ONU para estabelecer uma comissão de investigação sobre a morte de Bhutto. EFE igb/wr/fal

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