Paquistão chora os 93 mortos do atentado do jogo de vôlei

O Paquistão está de luto neste sábado após o massacre na véspera de 93 pessoas durante uma partida de vôlei em uma aldeia do noroeste, no terceiro atentado suicida mais mortífero já cometido no país.

AFP |

As vítimas foram enterradas durante a tarde em Shah Hasan Khan, a aldeia onde aconteceu o ataque, e nos arredores, informou à AFP Shahid Hameed, porta-voz da polícia local, que não deu detalhes sobre os funerais "por motivos de segurança".

O atentado foi condenado pelos Estados Unidos, pela Grã-Bretanha, pela França e pela União Europeia (UE), cuja chanceler, Catherine Ashton, denunciou "um novo exemplo da violência escandalosa que assola o Paquistão".

O ataque ainda não foi reivindicado mas a polícia acusa os talibãs, expulsos recentemente da aldeia por uma milícia de autodefesa formada por moradores.

Shah Hasan Khan fica no distrito de Bannu, vizinho das zonas tribais onde o exército luta contra os talibãs aliados à Al-Qaeda.

Estes talibãs são considerados os principais responsáveis pela onda de atentados que já deixou mais de 2.800 mortos no país em menos de dois anos e meio e se intensificou desde outubro, quando o exército lançou uma ofensiva no Waziristão do Sul, vizinho de Bannu.

O camicase explodiu seu carro, abarrotado, segundo a polícia, com 300 kg de explosivos, em uma quadra de vôlei onde acontecia um torneio entre aldeias orgnaizado pelo "comitê da paz" local, uma associação de moradores contrários aos talibãs, que estava reunida em uma mesquita vizinha na hora do ataque.

Este comitê apoiou o exército quando este veio expulsar os talibãs de Bannu, no ano passado. Poucos meses depois, os dirigentes militares anunciaram que o distrito estava livre dos rebeldes.

No entanto, os talibãs voltaram, antes de serem expulsos novamente pelos moradores.

Os habitantes continuavam na tarde deste sábado a vasculhar os escombros do atentado, que provocou o desabamento de cerca de 20 casas e criou um cenário de desolação em uma aldeia totalmente desprovida de equipamentos médicos.

Ramzan Bittani, 33 anos, estava assistindo à partida de vôlei, quando se afastou para atender uma ligação.

"Vi um enorme clarão azul e branco, seguido por uma explosão ensurdecedora. Quando me dei conta do que estava acontecendo, vi corpos e fumaça por todos os lados, e percebi que minha mão estava fraturada", contou Bittani por telefone à AFP desde o hospital onde está internado.

Anwer Khan, um estudante de 18 anos, viu a caminhonete preta se aproximando da multidão em alta velocidade. "Uma chama gigante subiu para o céu. Fui atingido na testa por dois estilhaços, e comecei a sangrar", relatou.

A polícia anunciou na manhã de hoje um último balanço de 93 mortos.

"Outras cinco pessoas morreram na noite passada no hospital público de Lakki Marwat" a cidade mais próxima, declarou à AFP Mohammad Ayub Khan, chefe da polícia de Bannu.

Somente dois ataques suicidas foram mais mortíferos que o de ontem no Paquistão: o de 18 de outubro de 2007 em Karachi cometido por ocasião da volta da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto (139 mortos), e o de 28 de outubro passado em um mercado lotado de Peshawar (pelo menos 118 mortos).

Trata-se do segundo ataque mortífero da semana contra civis, depois do atentado que deixou 43 mortos em uma procissão xiita segunda-feira em Karachi e que foi reivindicado pelos talibãs.

la/yw

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