Paquistão celebra Dia da República após fim de crise política

Islamabad, 23 mar (EFE).- Os paquistaneses comemoram hoje o dia em que o país se tornou uma república islâmica, em ocasião marcada pela superação de uma grave crise política e que neste ano não contou com o tradicional desfile militar, suspenso pelo Governo local como medida de corte de gastos.

EFE |

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, disse em discurso que, "durante muito tempo, o estado de direito foi violado por ditadores, às vezes pela doutrina da necessidade e às vezes sob a teoria da revolução bem-sucedida. Este ciclo deve terminar".

A festividade deste ano coincide com o fim de uma crise política que abalou o Paquistão até a segunda-feira passada, motivada pela pressão das forças da oposição e dos advogados do país para reconduzir o ex-presidente do Supremo Tribunal paquistanês, Iftikhar Chaudhry, ao cargo.

O Governo, do Partido Popular do Paquistão (PPP), cedeu às pressões para evitar uma grande manifestação em Islamabad convocada pelo líder opositor Nawaz Sharif, da Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N), o qual protesta contra uma ordem judicial que o impede de ocupar cargos públicos.

"O recente retorno dos juízes depostos aumentou a disposição do povo em ver o final deste ciclo (de ditadores)", disse Zardari.

Chaudhry foi afastado do cargo há 16 meses pelo então presidente, Pervez Musharraf, por ocasião da declaração do estado de exceção.

A volta do juiz ao seu antigo cargo também acalmou os ânimos entre o Governo e a oposição: neste domingo, Sharif se reuniu com o primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, para estudar um cenário de reconciliação política.

Citado pela agência de notícias paquistanesa "APP", o primeiro-ministro pediu em seu discurso durante a festa nacional para que "as pequenas diferenças estejam subordinadas aos altos valores da vida, que requerem união, fé e disciplina".

O próprio Guilani foi quem decidiu no último dia 2 pelo cancelamento do tradicional desfile militar como medida de corte de gastos diante da crise econômica vivida pelo Paquistão.

Desta vez, houve vários desfiles civis, exibições de documentários, recitais do Corão, debates e concursos de poesia nas principais cidades, além de programas especiais na televisão, segundo o canal local "Geo TV".

O Paquistão também lembra hoje o encontro da Liga Muçulmana realizado na cidade de Lahore em março de 1940, quando o grupo político reivindicou pela primeira vez a criação de uma pátria independente para os muçulmanos do subcontinente indiano. EFE igb-daa/bba

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