Paquistão celebra aniversário de independência em meio à crise política

Rawalpindi (Paquistão), 14 ago (EFE) - Imerso em uma situação econômica preocupante e com uma crise política aberta pela possível destituição do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, o Paquistão comemorou hoje o 61º aniversário de independência com pouco entusiasmo e sem atos unitários. Com a maioria das lojas fechadas e um trânsito livre na habitualmente caótica e barulhenta Rawalpindi, próxima a Islamabad, alguns grupos de jovens em bicicleta indicavam a comemoração, com bandeiras e rostos pintados. Não há muito motivo para comemorar. Os preços estão nas nuvens, não há eletricidade.

EFE |

.. e o Governo não faz nada, desvia a atenção para outras coisas. Faz muitas promessas, mas não vemos os resultados", criticou Naveed Shah em entrevista à Agência Efe.

Alguns partidos minoritários como o Jamiat-e-Islami ou o Tehreek-e-Insaf levaram centenas de fiéis às ruas, que levavam bandeiras e tocavam a buzina de seus veículos.

Nem o Partido Popular do Paquistão (PPP), do viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, Asif Ali Zardari, nem a Liga Muçulmana-Nawaz (PML-N) do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif promoveram hoje celebrações fora do protocolo institucional.

Os dois partidos, junto aos aliados no Governo, estão finalizando uma lista de acusações contra Musharraf para buscar sua destituição através do Parlamento, caso o ex-general não renuncie antes.

"O povo está unido, mas os partidos políticos não. Acredito em que sem Musharraf o futuro será muito melhor", disse o mecânico Sharirudin Qureshi.

A crise econômica que afeta o país, com uma inflação anualizada que superou 24% em julho e um déficit de energia acompanhado de constantes cortes no fornecimento elétrico, também não encorajou os aldeões a comemorar a data.

"As pessoas estão desesperadas. Se já vivia na miséria, agora é ainda pior. Não temos nada para comer", relatou Ashmar, um guarda de segurança que diz andar diariamente uma hora até o trabalho para economizar as dez rúpias (US$ 0,13) da passagem de ônibus.

Na capital reinava o silêncio, e bandeiras ao longo da Avenida da Constituição, onde estão os edifícios mais importantes, lembravam aos paquistaneses que hoje faz 61 anos que o Paquistão via a luz como um "lar" para os muçulmanos do subcontinente. EFE igb/db

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