Paquistão busca apoios internos e externos após atentados na Índia

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 1 dez (EFE).- A crise com a Índia após os atentados de Mumbai levou o Governo do Paquistão a buscar apoios, tanto internos quanto externos, perante a eventualidade de uma escalada da tensão entre os dois eternos rivais do sul da Ásia.

O Governo de Yousef Raza Guilani convocou os líderes dos partidos políticos do país para uma conferência de segurança nacional que será realizada amanhã e que o porta-voz governamental, Zahid Bashir, qualificou hoje de "vital para o Paquistão".

"Temos que olhar por nossa segurança e desenvolver um consenso nacional", declarou Bashir à Agência Efe, para reiterar que Guilani "já disse aos líderes estrangeiros que o Paquistão está disposto a cooperar".

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reivindicou hoje às autoridades paquistanesas que colaborem com a Índia na investigação dos atentados em Mumbai, que agências de inteligência indianas atribuem ao grupo caxemiriano com base no Paquistão Lashkar-e-Toiba (LeT).

Os Estados Unidos anunciaram hoje a visita de Rice a Nova Délhi na próxima quarta-feira, em uma aparente tentativa de conter a tensão entre os dois Estados nucleares, que protagonizaram seu último conflito bélico em 2001-2002, após um atentado contra o Parlamento de Nova Délhi atribuído ao LeT.

Bashir destacou que "a Índia ainda não apontou diretamente o Governo" paquistanês como responsável pelo ataque a Mumbai.

Entretanto, após reiterar que o Paquistão é uma "nação responsável que quer paz e prosperidade", reivindicou à Índia "informação crível" e provas que sustentem suas acusações.

"Se há provas de que os responsáveis pelos atentados têm base no Paquistão, tomaremos as ações necessárias", afirmou.

A atitude "de ameaça" que o Paquistão percebeu na Índia levou comandantes militares paquistaneses a revelarem à imprensa neste fim de semana que tinham alertado os EUA e a União Européia (UE) que deixariam a fronteira afegã livre para transferir tropas para a fronteira com a Índia.

"Por enquanto, não observamos nenhum movimento de tropas na fronteira por parte da Índia, portanto mantemos nossas posições", disse à Efe o porta-voz do Exército, Athar Abbas, que acrescentou que o deslocamento de seus homens "depende dos eventos".

"Vigiamos para salvaguardar nossa soberania, estamos atentos", disse.

A agência estatal "APP" citou fontes oficiais, segundo as quais o Paquistão conta com o apoio da China, seu principal fornecedor militar.

"A China assegurou seu total apoio material, financeiro e moral ao Paquistão em relação à situação criada após os ataques terroristas em Mumbai", informou a "APP", que faz referência a uma mensagem enviada pela China às autoridades paquistanesas, sem mais detalhes.

Nessa mensagem, a China, que está "em contato constante com o Paquistão", garantiu que ajudará o país "em qualquer situação para superar os problemas e desafios que ele enfrenta".

"Esperamos com expectativa a conferência de amanhã", disse à Efe uma fonte diplomática afegã, que afirmou que acredita que as relações entre os dois Estados "serão normalizadas em breve", pois, caso contrário, a região será muito afetada.

A mesma fonte acrescentou que o Paquistão "não pode descuidar da batalha contra os insurgentes" na fronteira com o Afeganistão.

Uma fonte diplomática européia consultada pela Efe qualificou a situação atual de "delicada, com possibilidade de agravamento".

"As próximas horas serão decisivas", acrescentou o diplomata, que julgou que o Paquistão deveria "dar passos claros", pois, segundo ele, o LeT "atua com certa tolerância em solo paquistanês".

Já antes da reunião de amanhã em Islamabad, os principais partidos do país estenderam seu apoio ao Governo.

"Há unanimidade na nação em torno deste encontro", disse à Efe o porta-voz da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N, ex-membros do Governo), Sidiq Farouk.

"Não queremos a guerra, mas a paz", declarou Farouk, que acrescentou que o Paquistão também não tolerará ameaças.

Farouk também criticou a Índia por "seguir o jogo dos EUA" quando acusa o Paquistão de ser "refúgio de todos os terroristas".

Para a Liga Muçulmana do Paquistão-Quaid (PML-Q), que apoiava o regime de Pervez Musharraf, a Índia está "unida" após a tragédia de Mumbai e em fase pré-eleitoral, por isso que não se pode descartar que efetue incursões em território paquistanês como resposta.

"Por isso, é preciso pensar que, se houver uma escalada da tensão, talvez seja necessário transferir tropas à fronteira", disse à Efe um dirigente do PML-Q.

"Esperemos o melhor, mas é preciso estar preparado para o pior", completou. EFE igb/ab/plc

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