Autoridades do Paquistão se reúnem nesta terça-feira, em Dubai, com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) em meio a uma crise na balança de pagamentos que ameaça o pagamento da dívida externa do país. O FMI diz que o Paquistão precisa de US$ 10 bilhões nos próximos dois anos para manter o pagamento da dívida e estabilizar a economia.

O país afirma que necessita de US$ 4 bilhões apenas para evitar o calote da dívida. Segundo o correspondente da BBC em Karachi Ilyas Khan, esse montante precisa ser recebido em um mês.

Autoridades paquistanesas dizem que o grupo que vai se reunir com a equipe do FMI não pedirá dinheiro ao fundo, mas buscará aprovação para um plano de estabilização preparado pelo governo.

Os paquistaneses acreditam que um "sinal positivo" do FMI pode incentivar instituições financeiras internacionais a liberar fundos que já estão previstos.

Isso inclui uma verba de US$ 1,5 bilhão do Banco Asiático de Desenvolvimento, da qual US$ 500 milhões já foram liberados.

Além disso, o Banco Mundial, o Banco Islâmico de Desenvolvimento e o Departamento de Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha aprovaram, juntos, um montante de US$ 3,8 bilhões.

Não está claro se essas verbas poderiam ser liberadas no próximo mês para evitar que o Paquistão deixe de pagar a dívida.

A correspondente da BBC em Islamabad Barbara Plett afirma que se isso não funcionar, o Paquistão poderá ser forçado a aceitar um programa do FMI, mas essa opção é politicamente pouco popular devido às condições normalmente impostas pelo órgão.

Crise

As autoridades paquistanesas dizem que só pedirão dinheiro ao FMI se outras opções fracassarem.

Os aliados tradicionais do Paquistão - China e Arábia Saudita - recusaram ajuda até agora.

Correspondentes dizem que o país está passando pela pior crise econômica em uma década, com grandes déficits orçamentários e na balança comercial que levaram a uma redução das reservas de moeda estrangeira e à saída de capital.

No último ano, houve uma redução de três quartos nas reservas de moeda estrangeira do Paquistão e acredita-se que haja fundos suficientes para manter as importações durante apenas algumas semanas.

Representantes de um grupo de países que se denomina Amigos do Paquistão se encontraram com o presidente Asif Zardari na segunda-feira, mas não se comprometeram em adiantar nenhum montante ao país.

O Paquistão é um aliado importante dos Estados Unidos e outros países ocidentais na chamada guerra contra o terrorismo, mas tem tido dificuldades em conter a ação de extremistas, incluindo o Talebã, em algumas regiões do país.

Segundo o analista de assuntos diplomáticos da BBC Jonathan Marcus, a crise na balança de pagamentos acrescenta um novo elemento de incerteza à estabilidade do país.

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