Paquistão boicotará conferência em protesto ao bombardeio da Otan

Islamabad decidiu não participar de reunião na Alemanha para discutir o futuro do Afeganistão na semana que vem

iG São Paulo |

O Paquistão irá boicotar uma conferência internacional sobre o futuro do Afeganistão, que está prevista para acontecer na cidade alemã de Bonn no dia 5 de dezembro, como protesto ao bombardeio da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que deixou 24 soldados paquistaneses mortos , informaram autoridades nesta terça-feira.

AP
Partidários de grupo religioso marcham em Lahore em protesto ao bombardeio da Otan que matou 24 soldados

A conferência deverá reunir todos os principais interessados na estabilidade afegã e procura uma estratégia para estabilizar o país asiático, uma década depois de a Al-Qaeda ter perpetrado os ataques de 11 de Setembro e os EUA terem revidado com ataques em uma caça ao Taleban. O boicote paquistanês causará problemas para os governos dos EUA e do Afeganistão, uma vez que as tropas da Otan, planejam uma retirada total até 2014 .

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"O Paquistão decidiu não comparecer à conferência de Bonn, como protesto", disse uma fonte do governo à Reuters, depois de uma reunião ministerial comandada pelo primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani, em Lahore. Outra fonte do governo, que também pediu anonimato, confirmou a decisão.

No final da tarde de segunda-feira, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner, já havia aludido à questão, dizendo que o Paquistão estava considerando boicotar a conferência. Toner disse que autoridades paquistanesas informaram aos EUA que eles estariam revendo a sua participação.

De acordo com os analistas, o anúncio é um claro aviso de que o Paquistão, enfurecido após a morte de seus soldados em um ataque de helicópteros e aviões de combate aliados, reduzirá ao mínimo sua colaboração na luta antiterrorista e no cenário afegão.

A chanceler alemã Angela Merkel disse entender as razões do Paquistão em não participar, mas que esperava que o país reconsiderasse sua decisão. "Eles deveriam entender que a conferência sobre o Afeganistão é muito importante. É uma oportunidade muito boa de avançar o processo político", disse.

As relações já deterioradas entre o Paquistão e os EUA pioram com o bombardeio da Otan. A aliança classificou o incidente como "trágico e inesperado", e autoridades americanas expressaram sua solidariedade com as famílias daqueles que morreram, além de garantir que uma investigação já estava em curso.

Na segunda-feira, porém, os militares paquistaneses rejeitaram o pedido de desculpas da aliança . Attar Abbas, porta-voz do Exército no país, disse que o incidente "poderia ter sérias consequências no nível e extensão da nossa cooperação" .

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Em entrevista concedida na segunda à CNN, o premiê do país, Yusuf Raza Gilani, reforçou essa posição e disse que as relações entre os dois países entrariam em estado de exceção . "A normalidade nas relações não estará mais lá", disse Gilani. "Temos de ter algo maior para satisfazer à minha nação."

Islamabad cortou as provisões para as forças internacionais no Afeganistão e exigiu aos EUA que desalojem uma base aérea em território paquistanês, que supostamente é usada para operações de aviões espiões.

Nesta terça, o general paquistanês Ashfaq Nadeem qualificou o bombardeio como um "ato deliberado de agressão" e disse que era "quase impossível que a Otan" não soubesse que estava atacando forças paquistanesas.

Nos últimos meses, as relações entre EUA e Paquistão já andavam abaladas por causa dos bombardeios norte-americanos na região da fronteira, das suspeitas citadas por Washington de que autoridades do Paquistão prestam apoio a militantes islâmicos , e da ação militar clandestina dos EUA, em maio, que resultou na morte de Osama bin Laden em território paquistanês.

Washington acredita que Islamabad, inclusive por sua histórica ligação com os grupos militantes, pode ter um papel crucial na pacificação do Afeganistão antes da retirada total das forças da Otan, em 2014, e por isso os EUA não podem se dar ao luxo de perder esse aliado.

"Claro que estamos preocupados sobre o impacto deste incidente em nossas relações com o Paquistão", disse Mark Toner na segunda-feira. "Estamos tentando trabalhar nisso."

Com Reuters e EFE

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