Paquistão autorizou notícia sobre atirador de Mumbai

Por Robert Birsel ISLAMABAD (Reuters) - As agências de segurança do Paquistão autorizaram a confirmação de que o único militante a ter sobrevivido nos atentados de Mumbai é um cidadão paquistanês, disse na terça-feira um ex-assessor de segurança nacional que afirma ter sido demitido porque o primeiro-ministro ficou desinformado.

Reuters |

A Índia passou semanas dizendo que o militante capturado em Mumbai, Mohammed Ajmal Kasab, é do Paquistão. Islamabad dizia que não conseguia localizar seu nome num banco de dados nacional, e estava investigando.

O primeiro-ministro Yousuf Raza Gilani demitiu seu assessor de segurança nacional Mahmud Ali Durrani na quarta-feira, logo depois de ele e outros funcionários confirmarem a jornalistas que Kasab é paquistanês.

Jornais indianos viram na demissão de Durrani uma reação ao fato de ele ter dito a verdade sobre a nacionalidade do agressor.

Mas o ex-assessor disse que outras autoridades, inclusive as poderosas agências de segurança, já haviam decidido confirmar a origem do atirador.

"Foi decidido ontem que iríamos dizer ao mundo que ele é paquistanês, porque esconder não faz sentido", disse Durrani a jornalistas por telefone. "As agências de segurança recomendaram e (...) repetiram isso para mim."

A Índia culpa militantes paquistaneses pelo atentado iniciado em 10 de novembro, que matou 179 pessoas e provocou uma nova onda de tensão entre os dois vizinhos, potências nucleares que travaram três guerras desde 1947.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, elevou o tom na terça-feira, ao dizer pela primeira vez que a agressão "deve ter tido o apoio de algumas agências oficiais no Paquistão".

Islamabad negou envolvimento de órgãos oficiais.

Durrani disse que foi demitido por não ter informado Gilani sobre a decisão de confirmar a nacionalidade de Kasab, e que o primeiro-ministro sentiu necessidade de exercer sua autoridade.

"O primeiro-ministro por acaso estava desinformado. Estava em Lahore e não sabia a respeito. Estava por fora", disse Durrani.

O gabinete do premiê disse que o assessor foi afastado "por seu comportamento irresponsável ao não dar confiança ao primeiro-ministro e a outros envolvidos".

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