Paquistão atribui ataque contra hotel a talibãs

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 10 jun (EFE).- As autoridades do Paquistão atribuíram a rebeldes talibãs o ataque suicida de ontem contra um luxuoso hotel da cidade de Peshawar (noroeste), no qual pelo menos de 18 pessoas morreram, entre elas dois funcionários da ONU.

Em resposta à ação, que continua sendo investigada, o ministro de Informação da Província da Fronteira Noroeste (NWFP), Mian Iftikhar, garantiu que o Governo continuará combatendo os insurgentes.

A rede de TV "Express", com base em informações de Ifthikar, disse que 18 pessoas morreram e 50 ficaram feridas no ataque. Porém, uma fonte da Polícia ouvida pela Agência Efe disse que pelo menos 20 corpos já foram recolhidos, vários deles de cidadãos estrangeiros.

Entre estes, estão o sérvio Aleksandar Vorkapic, que trabalhava como voluntário para o Alto Comissariado para os Refugiados (Acnur), e a filipina Perseveranda So, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Outros mortos são o capitão de uma companhia aérea paquistanesa e vários funcionários do hotel, inclusive o gerente. Segundo a imprensa do país, ainda há possibilidade de mais corpos estarem entre os escombros.

Já entre os feridos há mais quatro funcionários da ONU, vários britânicos e também um alemão, um somali e um malgaxe, segundo fontes diversas.

As informações da Polícia são de que os autores do ataque chegaram ontem à noite ao hotel cinco estrelas Pearl Continental. A bordo de dois veículos, eles mataram os seguranças do estabelecimento para conseguir chegar até o estacionamento.

No local, um dos suicidadas detonou um minicaminhão carregado com 500 quilos de explosivos. Dezenas de veículos e grande parte do hotel foram destruídos. Imóveis próximos também sofreram vários danos.

Horas depois do atentado, a "Express" exibiu um vídeo. Nele, os terroristas facilmente se livram de um segurança e de outros obstáculos antes de chegarem ao estacionamento e de provocarem a explosão, que deixou uma cratera de cinco metros.

O Pearl Continental, muito popular entre os turistas estrangeiros que visitam o Paquistão, fica num bairro da zona sul de Peshawar. Na mesma região, onde há bastante policiamento, também funcionam muitos restaurantes e há vários edifícios importantes.

Até o momento, as autoridades detiveram dois suspeitos. Mas ainda não há informações de qual seria a ligação deles com o crime.

O ataque contra o hotel é o último de uma série de atentados registrados em Peshawar. Nas últimas semanas, também foram alvo de terroristas um complexo de cinemas, um cibercafé, um mercado e as próprias forças de segurança.

A ação terrorista de ontem lembra a cometida no fim de maio contra um complexo policial em Lahore (leste). Mais ainda, evoca o atentado suicida que, em setembro de 2008, matou 54 pessoas e destruiu o luxuoso Hotel Marriott, em Islamabad.

O magnata paquistanês Sadruddin Hashwani, dono do Marriott e também do Pearl Continental, disse hoje à emissora "Geo TV" que este segundo estabelecimento voltará a funcionar em dois meses.

"Conseguirei colocar (o Pearl Continental) operando em dois meses, assim como reabri o Marriott em três", disse.

No mês de abril, as tropas paquistanesas lançaram uma intensa ofensiva contra os talibãs em várias áreas do norte do país. Segundo cálculos militares, o cerco causou a morte de mais de 1,3 mil talibãs, que ameaçaram reagir com atentados nas grandes cidades.

O Exército, que pretende estender suas operações até o reduto talibã no Waziristão do Sul, investiu ontem contra a cidade de Bannu. De acordo com a imprensa, os cofrontos na região mataram dezenas de rebeldes nas últimas horas. EFE igb/sc

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