Paquistão ataca grupo acusado de atentados

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 8 dez (EFE).- Pressionado pela Índia, o Paquistão lançou em sua parte da Caxemira uma operação policial contra o grupo acusado do atentado de Mumbai, embora fontes ocidentais duvidem de seu verdadeiro alcance.

A operação, executada neste domingo, atacou alvos do grupo terrorista Lashkar-e-Toiba (LeT), que a Índia acusa de estar por trás dos recentes atentados de Mumbai, informou hoje à Agência Efe uma fonte do Ministério do Interior.

Segundo o jornal "Dawn", a operação aconteceu em várias instalações aos arredores de Muzzafarabad, capital da Caxemira paquistanesa, e nela foram detidos pelo menos 20 supostos membros do LeT, incluindo o comandante Zakiur Rehman Lakhwi.

De acordo com esta versão, as forças de segurança inspecionaram também um edifício que estava sendo utilizado pela organização Jamaat-ud-Dawa, o grupo sob al qual as autoridades indianas consideram que se esconde o LeT.

O canal de televisão "Geo TV" disse que o Exército ordenou o despejo de uma escola islâmica da Jamaat-ud-Dawa, e que oito pessoas foram detidas durante esta tomada.

No entanto, a organização fundamentalista negou, através de seus porta-vozes, que tenha ocorrido alguma atuação contra ela.

"Vi um helicóptero das Forças Armadas sobrevoando a zona e escutei duais ou três fortes explosões", relatou ao "Dawn" uma testemunha, sobre as operações.

Outras testemunhas consultadas por esse jornal asseguraram ter visto membros do Exército nos arredores de Muzzafarabad.

O porta-voz do Interior paquistanês, Shahidullah Baig, confirmou hoje à Efe as detenções e a operação, a primeira que faz o Paquistão desde os atentados de Mumbai, mas evitou oferecer detalhes alegando que as autoridades caxemirianas são as responsáveis e "por enquanto ainda não entraram em contato" com seu Ministério.

Por enquanto, tanto porta-vozes dos serviços secretos do país (ISI) quanto do Exército se recusaram fazer qualquer tipo de comentários à Efe sobre a operação.

Uma fonte de segurança ocidental assegurou à Efe ter indícios de que a ação militar é uma "satisfação pela pressão internacional" e pôs em dúvida "o alcance das detenções".

"É provável que tenha havido ligações para a LeT antes do sucedido", ironizou, e lembrou que esta é uma estratégia similar à empregada anteriormente contra outros insurgentes nas áreas tribais fronteiriças com o Afeganistão.

Segundo os analistas, o LeT foi criado no anos 80 com ajuda do ISI e outras agências paquistanesas de inteligência para apoiar o movimento separatista na parte indiana da Caxemira, que ambas as potências nucleares se disputam desde a partilha e independência da região, em 1947.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse ontem em entrevista que "existem provas" de que os autores dos ataques na capital financeira indiana "utilizaram de alguma maneira território paquistanês".

Rice tinha visitado Islamabad na semana passada após sua passagem por Nova Délhi em uma tentativa de diminuir a tensão entre a Índia e o Paquistão, e pedido às autoridades paquistanesas que eliminassem todas as bases terroristas e cooperassem na investigação.

Embora o Governo paquistanês oferecesse de início sua ajuda à Índia, até agora tinha se mostrado reticente a atuar, alegando que não dispunha de provas suficientes, e, além disso, deixou claro que não entregará à Índia aos suspeitos que esta lhe reivindica, mas os julgará em seu território.

A Índia mantém que os autores dos ataques foram "elementos paquistaneses" e disse ter pedido a extradição de 20 terroristas, entre eles os chefes do LeT, Dawud Ibrahim e Tiger Memon e o chefe do grupo fundamentalista Jaish-e-Mohammed, Masoud Azhar.

O Paquistão, que diz ter recebido só um pedido de extradição de três supostos terroristas, negou que Ibrahim e Memon, dois indianos condenados pelos atentados de Mumbai de 1993, se encontrem em seu território e pediu à Índia mais provas contra Azhar.

A fonte de segurança ocidental disse ter informação que o Exército transferiu Azhar de Bahawalpur à região tribal fronteiriça com o Afeganistão denominada Waziristão do Sul. EFE igb/jp

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