As forças de segurança do Paquistão anunciaram que prenderam um dos principais líderes do Talebã e quatro outros comandantes do movimento durante uma ofensiva na conturbada região do vale do Swat, no noroeste do país. O Exército deu poucos detalhes sobre a operação, mas Muslim Khan é qualificado como porta-voz do Talebã e uma das figuras mais reconhecidas da milícia na região.

Ele falava com frequência em nome do chefe do movimento no vale do Swat, Maulana Fazlullah, que ainda está foragido.

As forças paquistanesas lançaram uma ofensiva contra o Talebã em abril, depois que o movimento praticamente assumiu o controle da região, que fica na Província da Fronteira Noroeste, perto da capital paquistanesa, Islamabad.

O Exército paquistanês qualificou a captura de Khan como "uma operação bem sucedida".

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Ilyas Khan, a captura do porta-voz do Talebã é um marco significativo para as operações do Exército no vale do Swat.

Uma das maiores críticas feitas à operação militar na região tinha sido justamente o seu fracasso em prender os principais líderes do movimento no vale do Swat.

Entre os homens detidos com Muslim Khan estava Mahmood Khan, tido como outro importante comandantes do Talebã no Swat.

Não ficou claro exatamente quando eles foram capturados. Mas havia uma promessa de recompensa equivalente a US$ 121 mil por informações sobre seu paradeiro.

'Corpos'
Os combates no vale do Swat começaram em abril, quando as forças do Talebã paquistanês expandiram suas operações para distritos a apenas 96 quilômetros da capital do país, Islamabad.

Sob os termos de um acordo fechado com o governo paquistanês, os militantes deveriam entregar as armas em troca pela implementação da Sharia (leis islâmicas) na região que inclui o vale do Swat.

O Paquistão considerou que o Talebã violou este acordo, dando início à operação militar. Com a intensificação dos combates, cerca de dois milhões de pessoas abandonaram suas casas. Embora muitas tenham voltado ao distrito, ainda há distúrbios e mortes na área.

Há notícias de que os combates persistem em bolsões isolados na região e, nas últimas semanas, foram encontrados mais de 200 corpos em vários pontos do vale.

Os corpos são de pessoas que teriam sido executadas que, acredita-se, seriam supostos militantes do Talebã.

Forças de segurança negaram com veemência que execuções eram parte de sua ofensiva contra o movimento. Elas alegam que moradores locais estariam por trás dos ataques.

Estas informações não foram confirmadas, mas os moradores formaram milícias tribais para enfrentar militantes no que correspondentes dizem ser um novo fenômeno na região.

Integrantes de uma milícia tribal mataram três supostos insurgentes em meados deste mês.

O Exército vem encorajando as pessoas na área a formarem forças de combate voluntárias. Organizações como esta existem em outras partes do noroeste do Paquistão.

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