Paquistão alerta EUA de que podem perder um aliado

Governo rejeita acusações de que agência de inteligência paquistanesa apoiou grupo Haqqani em ataque contra embaixada americana

iG São Paulo |

Autoridades do Paquistão alertaram nesta sexta-feira que podem deixar de ser aliado dos Estados Unidos, após o chefe militar americano ter acusado a agência de inteligência paquistanesa de apoiar o grupo Haqqani em um ataque lançado na semana passada contra a Embaixada dos EUA em Cabul .

O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani, afirmou que os países precisam um do outro – o Paquistão da ajuda financeira americana e os EUA da colaboração do aliado na luta contra o terror.
“Eles não podem viver com a gente, mas não podem viver sem a gente”, afirmou Gilani. “E se não podem viver sem a gente, deveriam melhorar a relação para acabar com mal entendidos.”

AP
Manifestantes queimam representações das bandeiras de Índia e EUA em Multan, no Paquistão

“Qualquer coisa que é dita em público para recriminar e humilhar um parceiro é inaceitável. Comunicamos a Washington que eles podem perder um aliado”, afirmou a ministra paquistanesa das Relações Exteriores, Hina Rabbani Khard. “Eles não podem alienar o Paquistão.”

'Inteligência crível'

A acusação contra o Paquistão foi feita na quinta-feira pelo chefe do Estado-Maior Conjunto americano, almirante Mike Mullen. "A rede Haqqani atua como um genuíno braço da Agência de Inteligência do Paquistão (ISI, na sigla em inglês)", disse a autoridade militar mais graduada dos EUA perante a Comissão de Serviços Armados do Senado.

Os ataques de 20 horas contra a embaixada americana, a sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte e prédios da polícia deixou ao menos 27 mortos na capital afegã em 13 de setembro. O número de mortos inclui 11 civis, entre os quais crianças, além de quatro policiais e dez militantes.

"Com o apoio do ISI, membros do Haqqani planejaram e conduziram um caminhão-bomba, assim como o assalto à nossa embaixada", disse Mullen, que deixa neste mês o cargo no Estado-Maior Conjunto. "Temos informações críveis de inteligência de que estiveram por trás do ataque de 28 de junho contra o Hotel Intercontinental em Cabul e de outras operações menores, mas efetivas."

A rede Haqqani, que é estreitamente aliada à milícia islâmica do Taleban e cuja base supostamente fica no Paquistão, tem sido acusada de vários grandes ataques contra alvos ocidentais, indianos e governamentais no Afeganistão.

Ela é frequentemente descrita por autoridades paquistanesas como um grupo predominantemente afegão, mas correspondentes dizem que suas raízes alcançam o território do Paquistão, com a especulação sobre seus vínculos com o aparato de segurança do país se recusando a morrer.

As declarações de Mullen são mais uma mostra da deterioração das relações entre EUA e Paquistão, que ficou aparente durante a morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden , em território paquistanês em maio. Na época, autoridades americanas acusaram Islamabad de dar apoio aos militantes islâmicos.

Ação no Paquistão

No início deste mês, autoridades em Washington deixaram claro que podem atacar alvos da Haqqani em solo paquistanês se Islamabad não combater os militantes. Na entrevista à BBC, o ministro do Interior paquistanês disse que seu país tem tomado "ações estritas" contra o grupo.

Segundo Malik, os esforços do governo muitas vezes são frustrados porque nem o Paquistão nem o Afeganistão têm o controle pleno de suas fronteiras.

Com BBC , AFP e EFE

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