Paquistão adverte Afeganistão que rejeitará qualquer interferência e intervenção

O Paquistão não permitirá que ninguém interfira em seus assuntos internos, advertiu neste domingo o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani, depois que o presidente afegão Hamid Karzai afirmou que seu país tem o direito de atacar guaridas de terroristas no território paquistanês.

AFP |

"Nunca interferiremos nos assuntos internos de outro país e não permitiremos que ninguém interfira nos nossos", declarou Gilani ao canal de televisão ARY-OneWorld.

Gilani reagiu assim às declarações ameaçadoras de Karzai.

"Em nome da legítima defensa, o Afeganistão tem o direito de destruir as guaridas terroristas do outro lado da fronteira", declarou Karzai em uma entrevista coletiva.

"Estas declarações não ajudarão à normalização das relações entre os dois países e vão ferir os sentimentos das populações de ambos os lados da fronteira", respondeu Gilani, antes de destacar o desejo de ter "laços de amizade" com as autoridades de Cabul.

Karzai critica com freqüência o governo do Paquistão por considerar que este não se esforça de maneira suficiente para impedir a entrada no Afeganistão de milicianos talibãs e de combatentes da rede terrorista Al-Qaeda.

O presidente afegão citou especificamente neste domingo os casos do mulá Omar, líder dos talibãs, e de Baitullah Mehsud, chefe das milícias no Paquistão, suspeito do assassinato da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhuto em dezembro.

"Mehsud tem que saber que vamos buscá-lo e que o atacaremos em su própria casa", disse Karzai.

Mehsud jurou prosseguir com a "jihad" (guerra santa) no Afeganistão, sem que isto o impeça de negociar um acordo de paz com o novo governo paquistanês.

Estas negociações de Islamabad com os talibãs provocaram mal-estar com os governos de Washington e Cabul.

O governo paquistanês acusa por sua parte o de Cabul e a coalizão internacional presente no Afeganistão de serem incapazes de derrotar os talibãs e, portanto, de serem os que provocam a mobilização dos milicianos no Paquistão e a onda de violência que afeta o país.

Gilani reafirmou que o Paquistão está adotando todas as medidas possíveis para acabar com as atividade dos talibãs na fronteira com o Afeganistão.

Tanto Cabul como Islamabad são aliados dos Estados Unidos na "guerra contra o terror". No entanto, as duas capitais mantêm uma relação tensa há alguns anos pela violência extremista que afeta os dois países e trocam acusações de modo reiterado.

mmg/fp

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