Em retaliação à morte de ao menos 24 militares, Islamabad fecha rotas de apoio a tropas ocidentais; Otan diz ser 'provável' responsável

Autoridades paquistanesas acusaram a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de ter perpetrado na madrugada deste sábado um ataque aéreo contra um posto militar perto da fronteira com o Afeganistão, deixando ao menos 24 soldados mortos.

Manifestantes paquistaneses gritam slogans anti-EUA e Otan em Lahore
AP
Manifestantes paquistaneses gritam slogans anti-EUA e Otan em Lahore
Em um sinal de que a ação pode inflamar a já tensa relação do Paquistão com o Ocidente, Islamabad retaliou fechando duas rotas vitais de apoio às tropas da Otan lutando no Afeganistão, interrompendo a passagem de suprimentos e combustíveis. O ataque é o pior incidente do tipo desde que o Paquistão se aliou a Washington imediatamente após os ataques do 11 de Setembro de 2001 contra os Estados Unidos.

O general de brigada Carsten Jacobson, um porta-voz da Otan, admitiu neste sábado que é "altamente provável" que a Aliança tenha sido responsável pelo episódio.

Segundo nota do governo paquistanês, que qualificou o ataque de "não provocado e indiscriminado", helicópteros da Otan dispararam contra o posto de controle paquistanês de Salalah, que fica a cerca de 2,5 km da fronteira com o Afeganistão, na região tribal de Mohmand, na fronteira com o Afeganistão.

O premiê paquistanês, Yusuf Raza Gilani, qualificou a suposta ofensiva ocidental de "ultrajante" e ordenou uma reunião emergencial de seu gabinete. Um comunicado da Chancelaria paquistanesa disse que discutirá o incidente com a Otan "nos termos mais duros".

O comandante das forças da Otan no Afeganistão, general John Allen, disse que o episódio será alvo de "toda a minha atenção pessoal e do meu compromisso por uma investigação para determinar os fatos". Ele também enviou "pêsames" para as famílias dos soldados mortos e para as forças de segurança paquistanesas.

A ofensiva tende a azedar ainda mais as relações do Paquistão com os EUA, já deterioradas desde que Washington realizou uma ação em maio para matar Osama Bin Laden em território paquistanês.

O Paquistão acusa com relativa frequência as forças afegãs e as tropas internacionais desdobradas no Afeganistão de atacar suas bases na delicada região fronteiriça entre os dois países, de aproximadamente 2,5 mil quilômetros, por onde circulam diariamente milhares de pessoas.

Uma ação do tipo realizada por helicópteros americanos em 2010 resultou na morte de dois soldados paquistaneses, ofensiva que também foi retaliada com a interrupção do fluxo de suprimentos às tropas dos EUA no Afeganistão.

Apesar de aliado incômodo e de ter sido acusado diversas vezes de conivência com o Taleban, o Paquistão é considerado vital para o sucesso da Guerra do Afeganistão, por compartilhar laços tribais e a extensa fronteira com o país, por onde passam suprimentos usados pelas forças da Otan.

As redes jihadistas e os grupos filiados à insurgência do Taleban buscam abrigo nas áreas tribais do Paquistão que fazem fronteira com o Afeganistão, entre elas Mohmand, a região onde ocorreu o ataque desta sexta-feira.

O Paquistão é de importância estratégica na Guerra do Afeganistão por sua fronteira e laços tribais com o país, bem como por seu envolvimento direto no combate a militantes da Al-Qaeda na região fronteiriça.

O posto de controle aparentemente atingido neste sábado foi estabelecido justamente para prevenir que insurgentes cruzem a fronteira paquistanesa rumo ao Afeganistão, segundo a BBC.

*Com EFE, BBC e Reuters

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