Paquistão acusa forças indianas de matar 3 soldados; Índia nega

Incidente aconteceu na fronteira da Caxemira, região disputada pelos dois países - que têm armas nucleares e já travaram 3 guerras

iG São Paulo |

AFP
Foto de 20 de agosto de 2011 mostra soldado indiano durante tiroteio em Gurez, a 160 km a norte de Srinagar, capital da Caxemira indiana
Forças indianas dispararam através da fronteira na disputada região da Caxemira na madrugada de quarta-feira, matando três soldados paquistaneses, disse ao canal de TV Geo o porta-voz militar paquistanês, general Athar Abbas, nesta quinta-feira. Segundo o Exército, forças indianas abriram fogo através da Linha de Controle - uma das áreas mais militarizadas do planeta, que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão -, no vale de Neelam, sem terem sido provocadas.

"Os soldados se deslocavam de um posto para o outro quando foram alvo dos disparos. Três deles morreram", disse Abbas. As forças paquistanesas revidaram com mais tiros, e o incidente se intensificou com comandantes indianos locais, afirmou. Segundo ele, o Exército do Paquistão iniciou uma investigação e notificou os fatos a um comandante militar indiano na região, procedimento habitual entre ambas as Forças Armadas para incidentes desse tipo.

Um porta-voz do Exército indiano na Caxemira, porém, ofereceu um depoimento diferente. "Eles abriram fogo primeiro e depois retaliamos. De manhã novamente eles começaram a atirar morteiros, e nós retaliamos e a troca de tiros continuou", disse o coronel J.S. Brar à Reuters. "Só nos defendemos. Se há três mortos, o problema é do Paquistão. Nas últimas horas houve quatro violações de cessar-fogo e temos um soldado ferido", afirmou Brar.

O incidente ressaltou a fragilidade dos laços entre os dois países, que se enfrentaram em três guerras, duas delas pela Caxemira, desde sua independência do Império britânico e partilha do subcontinente, em 1947. Houve trocas frequentes de tiros entre as duas forças antes que os vizinhos, ambos armados nuclearmente, concordaram em estabelecer um cessar-fogo na linha divisória em 2003. Eles continuam a trocar tiros esporádicos na região.

A mais recente ocorrência não deve ter impacto nos renovados esforços dos dois países para melhorar suas relações. A Índia e o Paquistão retomaram em fevereiro um processo formal de paz, suspenso após um ataque em 2008 na capital financeira da Índia, Mumbai, que deixou 166 mortos e foi associada a militantes sediados no Paquistão.

Durante a reunião na capital indiana de Nova Délhi em julho, os ministros de Relações Exteriores dos dois países louvaram uma nova era de relações, e concordaram em combater a militância para impulsionar o comércio e o turismo.

*Com Reuters e EFE

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