Paquistão acredita que o líder rebelde Baitullah Mehsud está morto

O principal chefe dos talibãs no Paquistão, Baïtullah Mehsud, pode ter sido morto durante esta semana, segundo autoridades paquistanesas, o que seria uma vitória importante nos combates realizados por Islamabad e seu aliado morte-americano contra os rebeldes do noroeste do país.

AFP |

Segundo autoridades paquistanesas e habitantes do Waziristão do Sul (noroeste), reduto de Baitullah Mehsud, este último teria sido morto na quarta-feira em um ataque de avião sem piloto americano que também matou sua segunda mulher.

A informação ainda deve ser oficialmente confirmada.

"Recebemos informações de que ele morreu", declarou pela manhã à imprensa o ministro do Interior, Rehman Malik.

"A boa nova, é que esta informação vem de seu próprio grupo", indicou. "Mas eu não posso confirmá-la enquanto não tiver provas concretas", ressaltou.

As primeiras informações sobre o caso chegaram quarta-feira a Washington, onde um responsável americano declarou à AFP sob anonimato que fazia sentido pensar que Mehsud estivesse morto. "Mas isso não pôde ser totalmente confirmado na ocasião", destacou.

O canal de televisão americano ABC, citando responsáveis americanos que pediram anonimato, afirmou que não há provas materiais, mas há "indícios" da morte de Mehsud.

Nenhum comandante talibã confirmou ou desmentiu sua morte. Mas alguns milicianos de seu Movimento de Talibãs do Paquistão (TTP) estão reunidos em seu reduto do Waziristão do Sul nesta sexta-feira.

"Uma reunião importante está sendo realizada neste momento no Waziristão do Sul e espera-se um anúncio importante", disse um comandante talibã.

Iqbal Mehsud, parente dele, informou que a esposa de Mehsud morreu após o disparo de um míssil sobre a casa onde estava, mas disse que o chefe talibã estava "a salvo".

Mehsud, de 35 anos, foi educado em uma escola religiosa de Miranshá, principal cidade do Waziristão do Sul; viajou para o Afeganistão na década de noventa para lutar junto aos talibãs na guerra civil.

Até sua volta ao Paquistão, os talibãs do Waziristão do Sul eram dirigidos por outro chefe da tribo, Abdullha Mehsud, que morreu em julho de 2007.

Baitullah assumiu, então, o lugar dele e criou o Movimento de Talibãs do Paquistão (Tehreek-e-Taliban Pakistan, TPP), acusado por Washington e Islamabad de estar por trás da onda de atentados suicidas que deixou mais de dois mil mortos no Paquistão, desde junho de 2007. Entre as vítimas destes ataques, está a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

A morte do líder "pode representar um duro golpe contra o TTP e gerar uma crise de liderança, pois aparentemente não há uma pessoa com o peso de Mehsud", explicou à AFP um especialista paquistanês em assuntos tribais, Rahimulá Yusufzai.

sz-jm/lm

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