Chanceler rejeitou críticas à atuação paquistanesa e disse que EUA usaram 'tecnologia' para driblar radares do Paquistão

Autoridades paquistanesas disseram nesta quinta-feira ter ordenado a abertura de um inquérito para apurar a responsabilidade pelo que admitiram ser “falhas” do serviço secreto em localizar Osama Bin Laden antes das forças americanas.

Em um comunicado, o Exército do país admite erros na tentativa de determinar a localização de Bin Laden e confirma que foi determinado o início de uma investigação. A nota reforça declarações feitas anteriormente pelo embaixador paquistanês para os Estados Unidos, Husain Haqqani.

O chanceler do Paquistão, Salman Bashir, defendeu forças paquistanesas em coletiva de imprensa em Islamabad
AP
O chanceler do Paquistão, Salman Bashir, defendeu forças paquistanesas em coletiva de imprensa em Islamabad
"Pisamos na bola. E vai haver um inquérito. Precisamos chegar ao cerne disto. Como aconteceu? Mas o mais importante agora é assegurar ao povo americano que o Paquistão, enquanto país, não olhava favoravelmente para Osama Bin Laden", disse o embaixador. "Osama Bin Laden não poderia estar lá sem uma rede de apoio. Os paquistaneses precisam se preocupar sobre ele ter escolhido o Paquistão para morar?", questionou. "Obviamente ele se sentiu confortável lá, e isso é algo que nos preocupa muito e lidaremos com a questão."

Redução

No comunicado desta quinta-feira, o Exército paquistanês pediu também que a presença militar americana no país seja reduzida ao "mínimo essencial", mas não detalhou o tamanho da redução que considera aceitável nem quando ela deveria ocorrer.

O órgão também advertiu os Estados Unidos contra a realização de novas operações como a que matou Bin Laden dentro do território paquistanês sem o consentimento prévio das autoridades.

O porta-voz do Exército paquistanês, Ashfaq Kayani, disse "ter deixado bem claro que qualquer outro ato similar de violação da soberania levaria a uma revisão da cooperação militar do serviço secreto com os EUA". Os militares paquistaneses também reclamaram que o serviço secreto americano não compartilhou informações sobre a operação contra Bin Laden com a Inteligência do país.

O Exército ressaltou ainda que o serviço secreto paquistanês já "prendeu ou matou cerca de cem integrantes de alto escalão da Al-Qaeda, com ou sem o apoio da agência de inteligência americana (CIA)".

Uma autoridade sênior de segurança do Paquistão disse, sob condição de anonimato, que tropas norte-americanas mataram Osama bin Laden "a sangue frio", aumentando tensões com Washington.

Chanceler

Também nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Salman Bashir, rejeitou as críticas à atuação das forças paquistanesas durante a operação americana que matou o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden. "As forças de segurança não foram nem incompetentes nem negligentes em relação a seu dever sagrado de proteger o país", afirmou, em coletiva de imprensa.

Após o anuncio da morte de Bin Laden, críticos questionaram como as forças do Paquistão não perceberam que aeronaves americanas tinham entrado no país sem autorização, já que o governo paquistanês só teria sido informado sobre a operação depois de ela ter terminado.

Segundo Bashir, os EUA usaram tecnologia avançada para que as aeronaves não fossem detectadas pelos radares paquistaneses. O governo só colocou caças no ar quando um dos helicópteros americanos apresentou defeito e caiu.

"Imediatamente nossas Forças Armadas foram checar se o helicóptero era paquistanês", afirmou Bashir. Segundo ele, os caças levaram 15 minutos para chegar ao local, mas as aeronaves americanas já estavam a caminho do Afeganistão.

O ministro reforçou que o Paquistão não sabia da ação e alertou para o perigo de missões unilaterais como a realizada pelos Estados Unidos. "Não há dúvidas de que repetição de atos como esse terão consequências desastrosas", afirmou.

Apesar do "recado" aos EUA, o ministro evitou responder se considerava a operação americana ilegal. "Cabe aos historiadores responder isso", disse.

*Com BBC

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