Paquistão: 3,5 milhões de crianças ameaçadas por doenças

Inundações que afetam o país há semanas trazem risco à saúde da população, principalmente à das crianças

iG São Paulo |

Um total de 3,5 milhões de crianças estão expostas a um alto risco de doenças mortais transmitidas pela água no Paquistão, em consequência das inundações que devastaram parte do país, informou nesta segunda-feira a ONU. Por enquanto, o país recebeu apenas US$ 125 milhões dos US$ 459 milhões solicitados para ajudar os afetados de uma das piores catástrofes naturais de sua história.

"Até 3,5 milhões de crianças estão fortemente expostas ao risco de enfermidades hídricas mortais ligadas à diarreia, como a disenteria", afirmou Maurizio Giuliano, porta-voz do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (Unocha), que citou ainda os riscos de hepatite A e E, além de febre tifoide.

Giuliano também afirmou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) se prepara para tratar dezenas de milhares de pessoas no caso de uma epidemia de cólera.

"A OMS se prepara para ajudar até 140 mil pessoas no caso de cólera, mas o governo não nos informou nenhum caso confirmado", completou, depois do anúncio no sábado de um primeiro caso da doença. "Nossa principal preocupação é a água e a saúde. Uma água limpa é essencial para evitar as enfermidades hídricas. Durante as inundações, a água foi fortemente contaminada".

O porta-voz lembrou que as crianças costumam ser os primeiros afetados pela escassez de água, alimentos e produtos de higiene básico e estimou que as mortes registradas até agora - 1,6 mil, segundo a ONU - não são nada "comparado com o que pode vir". Segundo o Unocha, o Paquistão pode sofrer uma "segunda onda de mortes" se não receber mais ajuda.

Giuliano assegurou que a ONU está se preparando de forma "preventiva" para dar remédios a 2 milhões de potenciais doentes de malária e a 1,5 milhão de pessoas possivelmente afetadas por diarreia.

Ele se mostrou "otimista" sobre a possibilidade de o Paquistão receber os 73% restantes da ajuda de US$ 459 milhões e avisou que, se não for assim, muitas pessoas correm risco de vida, sobretudo as crianças e outros grupos vulneráveis. Os donativos serão destinados a alimentos, tendas de campanha, água potável e material de saúde para os 20 milhões de afetados pelo desastre natural, mas com especial urgência para os 8 milhões que estão mais desemparados.

Em comunicado, o Fórum Humanitário do Paquistão, que reúne 35 ONGs que trabalham no país, pediu que a comunidade internacional tente satisfazer "as necessidades imediatas de milhões de paquistaneses, assim como as de dezenas de milhares de refugiados afegãos". "Sem um financiamento no longo prazo, reconstruir este país devastado será virtualmente impossível", acrescentou o organismo, que lamentou as consequências das inundações em âmbitos fundamentais, como a saúde e a educação.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que visitou ontem o Paquistão, reconheceu nunca ter visto uma catástrofe comparável às inundações das últimas semanas no Paquistão , com 20 milhões de afetados, segundo o governo. Mas as autoridades, após a devastação causada pelas inundações no norte paquistanês, temem uma piora da situação e mantêm a atenção em duas represas que, por enquanto, resistem ao aumento do nível das águas na Província de Sindh, no sudeste do Paquistão.

"Há uma situação difícil nas represas de Guddu e Sukkur", afirmou um porta-voz da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres, Ahmad Kamal, que acredita que o risco de que elas transbordem "continuará nos próximos seis ou oito dias".

Segundo Kamal, o volume das águas está descendo na Província do Punjab, no leste do país, a região mais povoada do Paquistão, após vários dias de preocupação pela situação de algumas represas importantes. Em alguns pontos, o curso do rio Indo, que percorre o país de norte a sul, transbordou por extensões que chegam a 30 quilômetros de largura.

As inundações que começaram no final de julho alagaram quase 17% do território do Paquistão e causaram 1.384 mortes, segundo as autoridades paquistanesas, embora a ONU situe o número em 1.600.

Segundo o canal de televisão "Geo", o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, reuniu-se nesta segunda-feira com o chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kiyani, para discutir sobre as operações de resgate das Forças Armadas nas zonas afetadas e sobre a situação da segurança no país.

*Com AFP e EFE

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