Papel do FMI na regulação financeira é objeto de debate no G20

O Fundo Monetário Internacional (FMI) é candidato a desempenhar um papel central da regulação financeira, mas esta iniciativa, defendida por alguns membros do G20 não é compartilhada por outros, principalmente os Estados Unidos.

AFP |

O FMI, integrado por 185 países, é considerado com freqüência a instituiçao mais idônea para coordenar as medidas de prevenção contra os excessos do setor privado, que falharam que falharam notoriamente no surgimento da atual crise.

No domingo passado, em São Paulo, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, argumentou ante os ministros das Finanças do G20 - o fórum que agrupa os países mais desenvolvidos e as grandes economias emergentes - ser favorável a que o FMI supervisione as regulamentações financeiras nacionais.

Os ministros, por sua parte, afirmaram que o FMI tem "um importante papel (...) para contribuir com a estabilização e o reforço do sistema financeiro internacional", que é o centro do debate. Acreditam também que deveria "reforçar sua capacidade de alerta com uma consideração particular para as economias importantes de um ponto de vista sistêmico".

Antes da cúpula do G20 em Washington nesta sexta-feira e sábado, os pedidos por um "novo Bretton Woods", o acordo internacional que deu origem ao FMI, em 1944, se multiplicam.

A presidência da União Européia, ocupada atualmente pela França, quer dar ao FMI a capacidade de prencher as lacunas que existem em termos jurídicos no caso de certos países e de formular recomendações.

"O papel que o FMI poderá ter em termos de supervisão das atividades dos países industrializados vai ser visto. Mas o papel de coordenação não exige que o FMI critique um país. Implica somente tratar de ajudar os países a coordenar políticas regulatórias coerentes", explicou o ex-chefe dos economistas do Fundo, o americano Simon Johnson, à AFP.

A idéia encontra certa oposição.

"Algunos países poderão dizer: se vocês querem que o FMI tenha tal papel, devemos realmente atacar o problema do voto, em particular o fato de os europeus terem tantas vagas (no conselho de administração)", advertiu Johnson.

Por exemplo, a China tem menos peso que a Bélgica e a Holanda juntas. "Isso parece realmente inapropriado em relação ao papel mundial que se quer conferir ao FMI", afirmou.

Os Estados Unidos, primeiro acionista do Fundo (17% dos votos, quando se necessita de 85% para as principais reformas), integra o grupo dos que são contra a idéia de que o FMI intervenha em seus assuntos internos.

O papel de prevenção das crise, menos controverso, é o que Adam Lerrick, pesquisador do liberal American Enterprise Institute, também acha o mais adaptado. "O FMI tem uma função subestimada, que cumpre há muitos anos, que é simplesmente a de fixar as normas de informação e transparência, para os Estados e instituições", afirmou.

"Os mercados detestam as surpresas. O FMI pode ajudar a superar as crises aumentando o volume de informação disponível. Isso faria mais para melhorar a estabilidade dos mercados de capitais do que qualquer função de emprestador ou regulador que possa propor", concluiu.

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