Papel de tropas no combate às drogas no Afeganistão gera divergências na Otan

Rafael Cañas. Budapeste, 9 out (EFE).- Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) divergiram hoje sobre um maior participação de suas tropas no Afeganistão na luta contra a produção de ópio e heroína que financia os talibãs, mas ainda tentarão chegar a um acordo amanhã.

EFE |

As diferenças sobre o papel das tropas da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) na luta contra as drogas, que já haviam aparecido nas últimas discussões, persistiram durante o primeiro dia da reunião informal entre ministros da Defesa da Aliança.

"Atualmente, nem todos estão na mesma direção", admitiu o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, em entrevista coletiva.

"Há países que têm preocupações para se envolver na luta contra as drogas além do atual mandato da Isaf", reconheceu o secretário americano de Defesa, Robert Gates.

Alguns países insistiram que a luta contra a produção de ópio e heroína deve ser dirigida pelo Governo afegão, e outros estão inquietos pelo possível aumento de vítimas civis que possa haver em operações deste tipo, informaram fontes.

"Há uma preocupação de que se assumirmos esta tarefa, estaríamos retirando o Governo afegão de sua responsabilidade", disse Gates.

Pelo menos 14 dos 26 países, entre eles Espanha, Alemanha, França e Itália, mostraram reservas sobre um maior envolvimento da Otan na luta contra o narcotráfico, disseram outras fontes.

No outro lado, estão principalmente Estados Unidos, Canadá e o Reino Unido. Outras nações não se manifestaram claramente.

A postura espanhola é a de aumentar a ajuda às autoridades afegãs para liderar estas operações, segundo a resolução 1833 da ONU, e dar tempo para que funcione a nova estratégia política e militar aprovada pela cúpula da Otan de abril, explicou a ministra de Defesa do país, Carme Chacón.

"Hoje havia um número grande de países que insistiam na resolução da ONU e em lutar contra o narcotráfico, reforçando o Exército e a Polícia afegãos para que façam esse trabalho", disse Chacón em entrevista coletiva, na qual lembrou que o último relatório da organização mostrou "bons resultados" na redução da produção de ópio.

A questão "não é se lutamos ou não contra o narcotráfico, mas como queremos realizar essa luta", explicou a ministra.

O secretário-geral da Otan confia que os ministros alcançarão "algum tipo de solução" em um novo debate programado para a manhã desta sexta-feira.

"Nossos soldados morrem pelas armas compradas com o dinheiro da droga", afirmou De Hoop Scheffer, que defende maior atuação da Otan neste tema, antes de mostrar esperança de que a Aliança conseguirá um acordo para fazê-lo sem "o tedioso processo" de conciliar mudanças ao plano operacional da Isaf.

Uma das idéias é que os países que o desejem possam se auto-excluir desse tipo de operações "sem bloquear os outros", explicou o secretário de Defesa americano.

Gates insistiu que o cultivo de ópio e a produção de heroína "não são um problema de todo o país", já que 98% da fabricação estão concentrados em sete províncias do sul do Afeganistão.

O ministro de Defesa afegão, Abdul Rahim Wardak, fez hoje um pedido formal aos responsáveis aliados para uma maior participação das forças da Otan neste sentido.

Já o pedido feito pelo chefe militar da Aliança na Europa, o general americano John Craddock, não se refere ao fato de as tropas da Isaf participarem da erradicação de plantios de drogas, mas de que atuem contra os laboratórios de processamento ou o transporte de narcóticos. EFE rcf/rb/plc

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