Papa visita Terra Santa em meio a polêmicas envolvendo Igreja e Holocausto

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 26 mar (EFE).- O papa Bento XVI viajará para a Terra Santa entre os dias 8 e 15 de maio, depois da polêmica despertada por um bispo lefebvriano que negou o Holocausto.

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Além disso, a existência de uma foto de Pio XII, papa entre 1939 e 1958, no museu do Holocausto em Jerusalém na qual é acusado de passividade diante do genocídio perpetrado pelos nazistas pode ser outro motivo para indisposições durante esta viagem do pontífice.

A visita, "um desejo" de Bento XVI, segundo seu porta-voz, Federico Lombardi, ocorre nove anos depois da viagem do papa João Paulo II por ocasião do Jubileu da Igreja Católica no ano 2000.

Além disso, o papa visitará a Terra Santa apesar das dificuldades no processo de paz entre israelenses e palestinos e das últimas tensões entre Israel e a Santa Sé.

A "peregrinação", como foi definida pelo Vaticano, acontecerá após a polêmica com as declarações do bispo "lefebvriano" Richard Williamson, o qual assegurou que "as câmaras de gás não existiram" e que cerca de 300 mil judeus, "e não seis milhões", morreram nos campos de concentração nazistas.

Williamson é um dos quatro bispos que tiveram suas excomunhões revogadas pelo papa em janeiro deste ano, o que colocou em pé de guerra a comunidade judaica internacional e desencadeou uma onda de críticas ao Vaticano e ao pontífice, algumas delas vindas de importantes políticos europeus.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu ao papa para "deixar claro" que o Vaticano não tolera a negação do Holocausto; o Rabinato de Israel rompeu relações com o Vaticano e o rabino de Veneza (Itália), Elia Richetti, disse que, com Bento XVI, a Igreja Católica está apagando o último meio século do diálogo judeu-católico.

Bento XVI se viu obrigado a condenar mais uma vez o Holocausto, ao qual considerou "um crime contra Deus e a humanidade", cuja "minimização é totalmente inaceitável".

Além disso, o pontífice exigiu que Richard Williamson que se retratasse de maneira "inequívoca e pública" de sua negação do Holocausto para poder exercer o sacerdócio pela Igreja Católica.

A comunidade judaica agradeceu as palavras do papa e a polêmica então foi superada.

Entretanto, ainda não foram superadas as críticas a Pio XII, papa durante os anos do nazismo e a quem muitos historiadores e judeus acusam de anti-semita e de não ter erguido a voz contra o regime de Adolf Hitler, algo sempre negado pelo Vaticano.

Os judeus se opõem à beatificação de Pio XII e, no museu do Memorial do Holocausto Yad Vashem, de Jerusalém, há uma fotografia deste papa com uma polêmica inscrição, na qual é acusado de ter se calado enquanto milhões de judeus eram conduzidos aos campos de extermínio durante a Segunda Guerra Mundial.

Alguns representantes católicos pediram ao papa que não viajasse até que Israel retirasse a foto e o texto. Bento XVI não visitará o museu, mas sim o Memorial.

Outro problema entre Israel e Vaticano permanece sem solução após 16 anos de relações diplomáticas: a falta de um acordo sobre isenção fiscal e de propriedade para os edifícios da Santa Sé na Terra Santa.

A Igreja Católica reclama por ainda não ter uma pessoa jurídica, o que a impede de se defender quando considera que suas propriedades foram ocupadas, e pretende ter isenção de impostos, alegando que a lei israelense exime templos religiosos de tributação.

Além disso, o Vaticano reivindica algumas propriedades para si, como o Cenáculo, local no qual Jesus Cristo teria celebrado a Última Ceia.

O papa começará sua viagem na Jordânia, no Monte Nebo. Foi lá que, segundo a Bíblia, Deus mostrou a Terra Prometida a Moisés.

Em seguida, Bento XVI vai para Jerusalém, Belém e Nazaré. Além disso, visitará um campo de refugiados palestinos.

O papa pediu ao Governo de Israel em diversas ocasiões para que "alivie os sofrimentos" dos refugiados palestinos e lhes permita mais liberdade de ir e vir. EFE.

JL/bba

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