Papa visita campo de refugiados ao lado de muro construído por Israel

O papa Bento 16 vai visitar nesta quarta-feira um campo de refugiados palestino ao lado do muro construído por Israel na Cisjordânia. O papa vai passar o seu terceiro dia de visita à Terra Santa em território palestino.

BBC Brasil |

Ele vai rezar uma missa na Praça da Manjedoura, em Belém, onde se encontra com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e depois visita o campo de refugiados de Aida.

O papa passou dois dias em Jerusalém antes de seguir para Belém.

Para a liderança palestina, a visita do papa a Belém representa uma oportunidade importante para expor o ponto de vista dos palestinos não só ao pontífice mas também ao mundo inteiro.

A decisão de levar o papa ao campo de Aida foi "estratégica", disse à BBC Brasil o governador do distrito de Belém, Salah Ta'mari.

"A localização do campo de refugiados de Aida, perto do muro que Israelconstruiu em Belém, e que divide nossa cidade, nos levou a mudar osplanos.

Em 2000, o papa João Paulo 2º visitou Belém e foi levado a outro campo de refugiados, o de Deheishe.

"Em vez de levar o pontífice (Bento 16) a Deheishe, que fica dentro da cidade, decidimos levá-lo a Aida, que fica perto da fronteira com Israel, ao norte, e lá poderemos mostrar a Bento 16 claramente como esse muro dificulta a vida dos palestinos", disse Ta'mari.

Segurança reforçada
Nos últimos meses, a cidade de Belém investiu esforços significativos para preparar a visita do papa. As ruas por onde a comitiva vai passar foram reformadas, as portas das lojas foram pintadas de verde, e nesta quarta-feira a cidade inteira está coberta com fotos do papa e bandeiras do Vaticano.

A Autoridade Palestina montou um forte esquema de segurança para impedir qualquer distúrbio à visita e convocou a principal unidade de elite, a Guarda Presidencial, para dirigir as operações.

Um toque de recolher foi declarado nas ruas pelas quais a comitiva vai passar e os moradores no local não poderão sair aos terraços durante a passagem dos veículos.

A freira Patricia Crockford, diretora do Departamento de Música da Universidade de Belém, disse à BBC Brasil que nesta quarta-feira toda a cidade está fechada, as ruas principais estão barradas por pontos de checagem da polícia palestina e as escolas e universidades fecharam suas portas para que os estudantes possam participar dos eventos.

Para Crockford, que mora em Belém há mais de 20 anos, a visita do papa "é uma grande oportunidade".

"Sigo com atenção os pronunciamentos do pontífice desde que ele assumiu o cargo e percebi que ele sempre menciona o sofrimento dos palestinos e a necessidade de paz na Terra Santa", disse.

"Espero que sua visita aqui lhe dê um impulso para se empenhar mais nessa direção, ele tem uma grande influencia, talvez consiga convencer o presidente Barack Obama a fazer algo para ajudar os palestinos", acrescentou.

A freira disse que pretende ir bem cedo à Praça da Manjedoura para não perder a missa, pois a polícia palestina já anunciou que as entradas ao local serão fechadas duas horas antes.

Muçulmanos
Milhares de peregrinos lotaram os hotéis de Belém na noite de terça-feira para quarta, para participar da missa.

Na Praça da Manjedoura espera-se a presença de dezenas de milhares de pessoas, pois além dos peregrinos e dos palestinos cristãos, que são uma minoria na cidade, muitos muçulmanos também pretendem participar do evento histórico.

Um deles é o funcionário da Autoridade Palestina, Nasri Abdallah.

"É um evento muito importante para todos os palestinos, não só para os cristãos", disse Abdallah à BBC Brasil.

"Ele é uma personalidade muito importante no mundo inteiro e esperamos que faça algo por nós".

"Belém é a cidade da paz, Jesus nasceu aqui, é importante que o papa reze pela paz em nossa cidade", disse.

A Basílica da Natividade, que, segundo a tradição cristã, foi erguida no local em que Jesus nasceu, fica entre a Praça da Manjedoura e a maior mesquita de Belém.

A Autoridade Palestina já pediu ao muezim da mesquita, que chama os fiéis para a oração, que abra uma exceção e não use os alto falantes para a chamada durante a missa de Bento 16.

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