Papa suspende por abusos sexuais bispo de Bruges, na Bélgica

Cidade do Vaticano, 23 abr (EFE).- O papa Bento XVI suspendeu hoje o bispo de Bruges (Bélgica), Roger Joseph Vangheluwe, 74 anos, por abusar sexualmente de um jovem belga quando era sacerdote, informou hoje o Vaticano.

EFE |

A suspensão foi adotada por Bento XVI de acordo com o artigo 401/2 do Código de Direito Canônico, pelo qual "os bispos diocesanos devem apresentar renúncia "em caso de doença ou qualquer outra causa grave em que fique reduzida sua capacidade de desempenhar a função".

Em comunicado divulgado pelo Vaticano, o prelado declarou que quando era um "simples sacerdote" e durante "certo tempo" abusou sexualmente de um jovem.

"A vítima segue marcada e nas últimas décadas reconheci minha culpa, pedi perdão a ele e a sua família. No entanto, não estou em paz. O temporal midiático destas últimas semanas reforçou o trauma e não é possível continuar nessa situação", afirmou o bispo.

O prelado acrescentou em sua confissão: "estou profundamente triste, por isso apresentei minhas desculpas mais sinceras à vítima, à sua família e a toda à sociedade em geral".

Roger Joseph Vangheluwe disse que tinha apresentado a renúncia como bispo ao papa e que uma vez aceita "sairia" da vida pública.

O arcebispo de Malinas-Bruxelas, chefe dos bispos belgas, Andre Joseph Leonard, disse, em comunicado divulgado hoje pelo Vaticano, que o caso do prelado de Bruges "é muito sério".

Ressaltou que pensaram "em primeiro lugar na vítima e em sua família", que viveu um "longo calvário, que é possível que ainda não tenha terminado".

Respeito ao bispo, o arcebispo Leonard acrescentou que tem o direito, como todas as pessoas, à conversão "confiando na misericórdia de Deus" e que "por respeito à vítima e sua família e por respeito à verdade renunciou".

Leonard acrescentou que a Igreja quer contribuir com o "restabelecimento" da vítima.

Reiterou a "transparência" da igreja belga para desvelar casos de abusos sexuais de menores pelo clero, deixando para trás a época "do silêncio e do acobertamento".

A renúncia do prelado belga ocorre um dia depois de o papa, em linha com sua "tolerância zero" contra os sacerdotes pedófilos, aceitar a renúncia do bispo irlandês James Moriarty.

Moriarty, bispo de Kildare e Leighlin, apresentou sua renúncia em 3 de dezembro, após ser acusado no "relatório Murphy" de ter acobertado, quando era prelado auxiliar de Dublin, os abusos sexuais e jovens por clérigos da arquidiocese da capital irlandesa.

O bispo é um dos três prelados que renunciaram nos últimos meses após a divulgação dos dois relatórios oficiais irlandeses - o "relatório Ryan" e o "relatório Murphy" - que revelaram que durante 70 anos centenas de crianças da Irlanda sofreram abusos sexuais por sacerdotes, sobretudo na arquidiocese de Dublin desde 1975 a 2004.

Outros dois bispos auxiliares de Dublin, Eamonn Walsh e Ray Field, também em apresentaram sua renúncia e espera-se que em datas próximas o papa Ratzinger as aceite. EFE jl/dm

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