Papa se reúne com vítimas de abusos sexuais no Reino Unido

Em Londres, manifestantes saíram às ruas para protestar contra Bento 16 e dogmas da Igreja Católica

iG São Paulo |

O papa Bento 16 se reuniu neste sábado com um grupo de cinco vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero, no mesmo dia em que manifestou pesar pelo sofrimento causado às vítimas.

De acordo com o Vaticano, no penúltimo dia da visita do pontífice ao Reino Unido, Bento 16 “ficou comovido pelo que disseram e expressou seu profundo pesar pelo que as vítimas e seus familiares sofreram". O encontro foi realizado a portas fechadas.

AFP
Manifestantes saíram às ruas de Londres para protestar contra Bento 16 e dogmas da Igreja
Mais cedo, durante missa celebrada no Palácio de Westminster, o pontífice abordou o tema dos escândalos de pedofilia ao mencionar o "imenso sofrimento causado pelo abuso de menores" e expressar seu "profundo pesar às vítimas inocentes desses crimes atrozes". ”Reconheço com vocês a vergonha e a humilhação que todos sofremos por causa desses pecados", ressaltou Bento 16.

Na quinta-feira, o papa já havia abordado este delicado tema no avião que o levou a Edimburgo, primeira etapa da visita de Estado histórica de quatro dias ao Reino Unido.link

O papa admitiu então que a Igreja não foi suficientemente vigilante ou rápida e firme para impedir e tratar dos abusos sexuais contra crianças, que provocaram uma enxurrada de denúncias contra padres católicos no mundo.

No dia seguinte, voltou a referir-se de maneira velada ao tema, quando pediu aos dirigentes de mais de 2.800 centros educativos católicos do Reino Unido que garantam "um ambiente seguro para crianças e jovens", em um ato festivo junto a jovens em Twickenham, perto de Londres.

Protestos

Paralelo ao encontro do papa com as vítimas, milhares de pessoas se manifestavam em Londres contra a visita de Bento 16 ao Reino Unido. Cerca de 3.000 pessoas, segundo a polícia, reuniram-se perto do Hyde Park, onde o pontífice presidiu uma vigília no fim de tarde.

O porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, disse aos jornalistas não estar surpreso com os protestos contra Bento 16. "Já esperávamos, sabemos que existem grupos que criticam o Papa e o Vaticano e têm o direito de expressar seu desacordo", afirmou.

No Hyde Park, o papa criticou o preço que os fiéis cristãos têm de pagar pela fidelidade ao Evangelho, ao serem "excluídos e ridicularizados por uma sociedade na qual o relativismo moral e intelectual ameaça minar seus pilares". Bento 16 fez essas declarações diante de cerca de 100 mil pessoas presentes na vigília de preces por ocasião da beatificação - no domingo, em Birmingham - do cardeal John Henry Newman (1801-1890), anglicano que se converteu ao catolicismo e é considerado um dos "pais espirituais" do Concílio Vaticano II.

Antes da vigília, o pontífice visitou o lar de idosos Saint Peter Residence, em Vauxhall, e declarou que os idosos são uma "bênção" para a sociedade. Além disso, voltou a reafirmar sua posição contrária à eutanásia, ao afirmar que a vida é um dom de Deus e só corresponde a ele dá-la e tirá-la.

Antes dos eventos de fim de tarde de sábado, Bento 16 se reuniu durante 20 minutos com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, seu segundo no governo de coalizão, Nick Clegg, e o líder da oposição trabalhista, Harriet Harman.

Foi a primeira vez que o líder "tory" (conservador), Cameron, se reunia com o sumo pontífice desde a chegada deste ao Reino Unido para sua visita pastoral e de Estado de quatro dias, que termina neste domingo na cidade inglesa de Birmingham. Por ter de assistir ao funeral de seu pai, morto recentemente, Cameron não pôde estar presente na sexta-feira no Parlamento, onde o papa pronunciou seu discurso mais político, no qual denunciou a marginalização da religião, particularmente o cristianismo.

Presos

Na sexta-feira, seis homens foram presos sob suspeita de preparar um ato terrorista durante a visita do papa continuam sendo interrogadas pela polícia. Os suspeitos, com idades entre 26 e 50 anos de idade, trabalhavam para a empresa de limpeza privada Veolia Environmental Services, filial da francesa Veolia, terceirizada pelo conselho municipal de Westminster, segundo informou uma autoridade local.

Os investigadores não encontraram qualquer material perigoso e se negam a dizer o tipo de ameaça e se esta ameaça tinha a ver diretamente com o papa. A polícia precisou que o dispositivo de segurança foi reexaminado, mas que o itinerário do papa não foi modificado. Ao abordar essa questão, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, afirmou que o papa estava "calmo", "feliz com sua viagem" que manteria sem modificações na programação ou no itinerário.

Neste sábado, fontes da polícia britânica afirmaram que os seis homens presos na última sexta-feira por suposto envolvimento em um plano contra o papa, na verdade não representavam ameaça ao pontífice.

*Com EFE, AFP e BBC

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