Papa se mostra convencido de que o tempo é propício para um retorno a Deus

Juan Lara. Lourdes (França), 15 set (EFE).- O papa Bento XVI está convencido de que os tempos são favoráveis para um retorno a Deus e que a cultura e seus intérpretes são os agentes privilegiados do diálogo entre a fé e a razão, entre Deus e o homem.

EFE |

Desta forma o pontífice deixou hoje a cidade de Lourdes, última etapa de sua viagem de quatro dias à França, onde também esteve em Paris e no santuário mariano na região dos Pirineus para celebrar os 150 anos das aparições de Nossa Senhora.

Sua viagem, como ele próprio a classificou, foi como um díptico, cuja primeira etapa foi Paris - de maior conteúdo político, onde se reuniu com o presidente Nicolas Sarkozy e com o mundo da cultura - e a segunda foi Lourdes, marcadamente mariana e onde cerca de 150 mil pessoas o receberam.

Em Paris, o papa defendeu diante de Sarkozy as raízes cristãs da França e apostou em uma "laicidade saudável".

Segundo o papa, a laicidade em si mesma não se opõe à fé, mas a fé é fruto de uma "laicidade saudável".

Sarkozy defendeu sua concepção da "laicidade positiva" como "um convite ao diálogo, à tolerância e ao respeito" e assegurou que para as democracias seria "uma loucura" se privar das religiões.

A sintonia entre o papa e Sarkozy foi duramente criticada pela oposição socialista, que exige que o chefe de Estado francês seja o "guardião" dos princípios da laicidade que regem o país.

Diante do mundo da cultura, Bento XVI afirmou que nas cidades "já não há altares e que Deus se transformou no grande desconhecido".

Além disso, ele reiterou que através da razão pode se chegar a Deus.

A etapa de Paris foi concluída com uma missa para mais de 260 mil pessoas na qual fez um pedido ao mundo para "fugir" dos ídolos, "que são um chamariz que aprisiona o homem no reino das aparências e o afasta da felicidade e de seu verdadeiro fim, que é Deus", declarou.

O Pontífice afirmou que a cobiça insaciável é uma idolatria, que o amor ao dinheiro é "a raiz de todos os males" e que "o desejo de ter, de poder e inclusive de saber desviam o homem de Deus".

Em Lourdes, à qual definiu hoje como "uma luz na escuridão à nossa procura por Deus", o papa percorreu como um peregrino comum as estações do Ano do Jubileu da Igreja Católica.

Trata-se da igreja na qual é conservada a pia em que foi batizada Bernadette Sobirous (a menina a quem Nossa Senhora apareceu, em 1858), o calabouço (local no qual vivia), a Gruta de Massabielle (na qual aconteceram as aparições) e o oratório em que a menina realizou sua primeira comunhão.

Na Gruta das Aparições, onde Nossa Senhora aparecera em 18 ocasiões para a menina, entre 11 de fevereiro e 16 de julho de 1858, uma criança ofereceu ao pontífice um copo com água da fonte milagrosa na qual Nossa Senhora encontrou Bernadette.

Suas primeiras palavras em Lourdes, quatro anos após a visita de João Paulo II à região, foram de preocupação com os doentes e com as vítimas da guerra e do terrorismo.

Diante de mais de 150 mil pessoas, reunidas no domingo na pradaria do santuário, o papa celebrou uma missa na qual disse que este é um lugar "de serviço fraterno aos doentes, aos pobres e a todos os que sofrem", e afirmou que "o poder do amor é mais forte que o mal que ameaça".

Hoje, antes de retornar a Roma, celebrou uma missa com os doentes, diante dos quais reconheceu que o sofrimento rompe os equilíbrios de uma vida, mas encorajou todos a não se renderem e a olharem para Nossa Senhora, "que dá a força para continuar a luta contra a doença e a favor da vida".

Em Lourdes, ele se reuniu com todos os bispos franceses, aos quais disse que a Igreja defende "com firmeza" a indissolubilidade do casamento e que, embora entenda as pessoas divorciadas que se casaram novamente, "não pode aceitar" as iniciativas que tendem a abençoar "as uniões ilegítimas".

Os observadores do Vaticano notaram nestas palavras uma advertência aos casos registrados na França de sacerdotes que abençoaram casais de católicos divorciados e casados novamente, além dos mesmos terem sido autorizados a comungar, o que é proibido pela Igreja.

Após esta viagem, o papa viajará em outubro para o santuário de Pompéia, no sul da Itália, onde é venerada a Virgem do Rosário.

Hoje, o papa Bento XVI retornou a Roma. O avião que o levou, um Airbus 321 da companhia Air France, aterrissou no aeroporto de Ciampino às 14h50 local (9h50, em Brasília), após percorrer os 1.025 quilômetros que separam a cidade francesa da capital italiana.

Do aeroporto de Ciampino, Bento XVI foi para a residência de verão de Castel Gandolfo, onde permanecerá até o final de setembro.

EFE jl/fh/fal

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