Papa reza missa campal nos EUA e lembra importância de imigrantes hispânicos

Cristina Cabrejas Washington, 17 abr (EFE).- O papa Bento XVI teve hoje seu primeiro encontro com os fiéis católicos americanos, que lhe demonstraram seu afeto durante uma missa campal celebrada no estádio de beisebol Nationals Park, em Washington, e na qual pela primeira vez nesta viagem se dirigiu aos hispânicos.

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Segundo fontes eclesiásticas locais, Bento XVI esteve hoje diante de 45 mil fiéis, sendo que dezenas de milhares ainda tiveram que ficar do lado de fora por não terem conseguido ingressos.

As fortes medidas de segurança fizeram com que muitos dos fiéis chegassem cerca de cinco horas antes do início da cerimônia - 10h, pelo horário local -, o que não evitou que enfrentassem longas filas.

Os católicos fizeram uma calorosa recepção a Joseph Ratzinger com muitos aplausos, gritos de "viva o papa" e agitando as milhares de bandeirinhas com as cores dos EUA e do Vaticano que foram distribuídas pela organização da cerimônia.

A missa de Washington demonstrou o caráter multiétnico da sociedade americana, evidenciado pela diversidade cultural dos fiéis que cantaram as canções interpretadas pelas cerca de 500 vozes do coro da cerimônia.

Bento XVI falou em espanhol pela primeira vez desde sua chegada aos EUA, na terça-feira, e lembrou que o crescimento da Igreja Católica neste país se deve à chegada de imigrantes latino-americanos e à "vitalidade do testemunho de fé" dos fiéis de língua espanhola.

O pontífice pediu a eles para que "não se deixem vencer pelo pessimismo, pela inércia ou pelos problemas" e que sejam fiéis aos "compromissos que adquiriram ao ser batizados".

Além disso, Bento XVI convocou os fiéis hispanófonos a "continuarem contribuindo para o futuro da Igreja neste país e à difusão do Evangelho".

"Somente se estiverem unidos a Cristo e entre vocês, seu testemunho evangelizador será crível e renderá frutos de paz e reconciliação, no meio de um mundo muitas vezes marcado por divisões e confrontos", acrescentou o papa.

Durante a cerimônia, Joseph Ratzinger parabenizou outro falante de língua espanhola, o tenor espanhol Plácido Domingo, por sua aplaudida interpretação de "Panis Angelicus".

Em sua homilia, o pontífice lembrou dos que chegaram aos EUA "com a expectativa de encontrar uma nova liberdade e novas oportunidades".

Bento XVI também denunciou as "injustiças sofridas pelas populações indígenas americanas" e daqueles "que foram trazidos da África à força como escravos".

Este primeiro encontro com os fiéis americanos serviu para que o chefe da Igreja Católica retomasse o tema dos casos de abusos sexuais contra menores de idade por parte de sacerdotes dos EUA.

O papa se disse consciente do "dano" causado por este escândalo dentro da comunidade da Igreja, em alusão ao fato de que muitos abandonaram o catolicismo depois dos acontecimentos.

Desta forma, o pontífice convidou os fiéis "a promoverem a recuperação e a reconciliação para ajudarem os que foram afetados", e a "estimarem seus sacerdotes e os reafirmarem no excelente trabalho que fazem".

"Nenhuma palavra minha poderá descrever a dor e o dano produzido por dito abuso", afirmou Bento XVI.

Além disso, Joseph Ratzinger destacou a importância de "dar atenção pastoral aos que sofreram" e apontou que "grandes esforços já foram feitos para proteger às crianças e estes hão de continuar".

O pontífice recriminou o comportamento "desconcertante" de alguns católicos nos EUA que "se inclinam a adotar atitudes contrárias à verdade do Evangelho".

O papa voltará a celebrar uma missa campal no próximo domingo em Nova York, também em um estádio de beisebol, no último dia de sua viagem aos EUA. EFE ccg/bba/fb

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