Papa reza com Bush e pede sociedade mais justa

Por Philip Pullella e Tom Heneghan WASHINGTON (Reuters) - O papa Bento 16, segundo pontífice na história a entrar na Casa Branca, pediu na quarta-feira aos norte-americanos e seus líderes que baseiem suas decisões sociais e políticas em princípios morais, de modo a criar uma sociedade mais justa.

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Antes de deixar a Casa Branca, o papa rezou junto com o presidente George W. Bush e com a esposa dele, Laura, pedindo pela instituição da família, segundo o porta-voz do Vaticano.

Bush é metodista.

Ambos os líderes disseram que a família tradicional, baseada no casamento heterossexual, está em perigo.

No dia de seu 81o aniversário, Bento 16 também propôs 'esforços pacientes da diplomacia internacional para resolver conflitos' e promover o progresso no mundo.

'Venho como amigo, como pregador do Evangelho e com grande respeito por esta sociedade vasta e pluralista', disse o pontífice após ser recebido por Bush numa cerimônia com direito a banda em trajes coloniais e salva de 21 tiros de canhão.

Sob aplausos de quase 10 mil pessoas, Bush citou a importância da fé na vida dos Estados Unidos. 'Aqui na América, o sr. encontrará uma nação de oração', afirmou.

Bush citou também os atentados de 11 de setembro de 2001, que destruíram o World Trade Center, em Nova York, em cujo terreno o papa vai rezar nesta semana.

'Num mundo em que alguns evocam o nome de Deus para justificar atos de terror, assassinato e ódio, precisamos da sua mensagem de que Deus é amor. E abraçar este amor é a forma mais segura de salvar o homem de cair presa do ensinamento do fanatismo e do terrorismo', disse Bush.

O papa sorriu quando a multidão cantou 'Parabéns a Você', enquanto os funcionários da Casa Branca chegavam com um grande bolo branco.

Em um discurso salpicado com referências aos próceres norte-americanos, Bento 16 fez elogios aos EUA e evitou citar questões como a guerra do Iraque e o aborto. Deixou de lado também qualquer menção que pudesse ser vista como uma interferência no processo eleitoral norte-americano, a não ser quando pediu 'um debate público sensato'.

Bush e Bento 16 concordam na oposição ao aborto e às pesquisas com células-tronco embrionárias, mas têm diferenças a respeito da guerra do Iraque e da pena de morte. Enquanto o papa discursava, a Suprema Corte dos EUA liberou a retomada das execuções, suspensas desde setembro.

Coube a Bush citar o tema do aborto, dizendo que 'num mundo em que alguns tratam a vida como algo a ser degradado e descartado, precisamos da sua mensagem de que toda vida humana é sagrada'.

Uma nota conjunta disse que, na reunião privada que tiveram posteriormente no Salão Oval, o papa e o presidente falaram 'da promoção da vida, do matrimônio e da família', de direitos humanos e liberdade religiosa, de desenvolvimento sustentável, do combate à pobreza e do Oriente Médio, com ênfase na questão do Iraque e do conflito israelo-palestino.

'Os dois reafirmaram sua total rejeição do terrorismo e também da manipulação da religião para justificar atos imorais e violentos contra inocentes', disse a nota.

O papa disse que a liberdade 'é não só um dom, mas também um chamado à responsabilidade pessoal' em relação aos menos afortunados.

'A democracia só pode florescer, como seus pais fundadores perceberam, quando líderes políticos e os seus representados se guiam pela verdade e trazem a sabedoria nascida de um firme princípio moral para decisões que afetam a vida e o futuro da nação.'

(Reportagem adicional de Patricia Zengerle, Matt Spetalnick, Andy Sullivan, Jeremy Pelofsky e David Alexander)

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