Papa recebe apoio da Igreja Católica diante de casos de pedofilia

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 4 abr (EFE).- O papa Bento XVI recebeu hoje o apoio da Igreja Católica durante a Missa da Ressurreição, no Vaticano, diante das críticas recebidas pelo clero devido à atuação nos casos de pedofilia.

EFE |

"Santidade, não está só. Os fiéis não se deixam impressionar pelas maledicências do momento", afirmou hoje o cardeal Angelo Sodano durante a cerimônia.

Diante de milhares de fiéis, o cardeal rompeu o protocolo da Igreja, o que demonstra a gravidade do momento, abriu a missa com uma mensagem de solidariedade a Bento XVI.

"Hoje, toda a Igreja deseja dizer-lhe feliz Páscoa, santo padre.

A Igreja está com o senhor, os cardeais, colaboradores, os bispos das três mil circunscrições e os 400 mil sacerdotes que servem nas paróquias, nas escolas, nos hospitais e nas missões", afirmou Sodano.

Sodano lembrou as palavras pronunciadas pelo papa na Quinta-Feira Santa ao citar São Pedro: "Jesus, insultado, não respondeu aos insultos".

Esta foi a única alusão aos escândalos envolvendo padres pedófilos em diversos países. O papa foi duramente criticado nos últimos dias por sua conduta em relação aos abusos enquanto era o cardeal responsável pela Congregação da Doutrina da Fé, tendo sido acusado de esconder casos ocorridos nos Estados Unidos e na Alemanha por associações de vítimas e alguns veículos de comunicação.

O pontífice não comentou os casos de pedofilia na Igreja durante a Semana Santa, deixando a tarefa para cardeais, bispos e veículos de imprensa da Santa Sé.

Hoje, na mensagem pascal, Bento XVI disse que a humanidade precisa de uma conversão espiritual e moral para sair da crise profunda na qual está e pediu às nações que a atividade econômica siga critérios de verdade, de justiça e de "ajuda fraterna".

Em sua mensagem, o papa percorreu todo o mundo, detendo-se na América Latina e no Caribe, especialmente no Chile e no Haiti, e condenou o tráfico de drogas nessa parte do mundo.

"Que a Páscoa de Cristo represente para aqueles países latino-americanos e do Caribe que sofrem um perigoso recrudescimento dos crimes relacionados com o narcotráfico a vitória da convivência pacífica e do respeito ao bem comum", disse o papa.

Bento XVI defendeu que o Haiti, "devastado pela terrível tragédia do terremoto, realize seu êxodo do luto e o desespero rumo a uma nova esperança, com a ajuda da solidariedade internacional".

"Que os amados cidadãos chilenos, assolados por outra grave catástrofe, enfrentem com tenacidade, e sustentados pela fé, os trabalhos de reconstrução", acrescentou o pontífice.

Bento XVI também pediu o fim definitivo dos conflitos no Oriente Médio e no Iraque e disse esperar que os países afetados pelo terrorismo e pelas discriminações sociais ou religiosas possam empreender caminhos de diálogo e de convivência serena.

O papa pediu o fim dos conflitos que provocam "destruição e sofrimento" na África e defendeu a paz e a reconciliação na República Democrática do Congo, na Guiné e na Nigéria.

O pontífice também lembrou dos cristãos que sofrem perseguição no mundo, como no Paquistão.

Ao final de sua mensagem, o papa deu a bênção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e a todo o mundo) em 65 idiomas, entre eles o português, no qual desejou "uma Páscoa feliz com Cristo ressuscitado". EFE JL/bba

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