Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Papa prioriza viagens ao exterior e diálogo com muçulmanos

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 20 dez (EFE).- As visitas do papa Bento XVI aos Estados Unidos, à Austrália - por ocasião da 23ª Jornada Mundial da Juventude - e à França marcaram 2008 para a Santa Sé, em meio a um período no qual o religioso celebrou ainda o segundo Sínodo de Bispos de seu pontificado e intensificou o diálogo com o islamismo.

EFE |

O ano começou com uma imagem de Bento XVI que deu a volta ao mundo. Pela primeira vez após a reforma do Concílio Vaticano II, em 13 de janeiro o papa rezou missa dando as costas para os fiéis, tendo como cenário a imponente Capela Sistina.

Bento XVI rezou a missa por ocasião da Festa do Batismo de Jesus, aproveitando o evento para batizar 13 crianças, todas filhas de funcionários do Vaticano.

Embora a celebração tenha se desenvolvido segundo o Missal extraído do Concílio Vaticano II, ver o papa rezando a missa no altar antigo, junto à parede em que o italiano Michelangelo pintou o "Juízo Final", e dando as costas para os fiéis com a atenção voltada ao grande crucifixo que tinha a sua frente surpreendeu.

O Vaticano esclareceu que o bispo de Roma leu a homilia em um trono colocado à direita da parede, e não no centro da capela. Até o momento, para a celebração de missas na Sistina era usado um altar móvel, colocado diante do "Juízo Final" - como era feito por João Paulo II e por Bento XVI nos dois primeiros anos de seu pontificado.

O Escritório para as Celebrações Litúrgicas do papa ressaltou na ocasião que o altar antigo foi usado para "não alterar a beleza e a harmonia dessa jóia arquitetônica".

"Isso significa que, em alguns momentos, o papa dará as costas aos fiéis e olhará para a cruz", completou o Vaticano, lembrando que o Missal utilizado para a liturgia foi o estabelecido após o Concílio Vaticano II, que levou a Igreja Católica rumo ao terceiro milênio.

A primeira viagem que o papa realizou ao exterior este ano foi aos EUA, onde celebrou seu 81º aniversário (16 de abril) e o terceiro aniversário de seu pontificado (19 de abril).

Bento XVI não economizou esforços para limpar a imagem da Igreja Católica após os escândalos de abusos sexuais cometidos por padres pedófilos em território americano e depois de pedir várias vezes perdão pelos mesmos.

Direto, sem panos quentes, e com linguagem clara, o papa disse que se sentia "triste", que compartilhava do sofrimento das vítimas e que não entendia como um sacerdote podia "trair sua missão".

Assegurou que nenhum pedófilo poderia ser sacerdote.

Em Washington, além disso, se reuniu com cinco vítimas de padres pedófilos. Ouviu suas histórias e rezou com eles.

Em julho, embarcou rumo a Sydney (Austrália), onde presidiu a 23ª Jornada Mundial da Juventude, da qual participaram cerca de 350 mil jovens de todo o mundo.

O papa, um dos pontífices que está mostrando maior sensibilidade pela ecologia, denunciou a erosão, o desmatamento, o roubo de recursos minerais e oceânicos e alertou os jovens para o relativismo e os "deuses falsos" da avareza, do sexo e do poder.

A terceira viagem internacional ocorreu em território francês. Em setembro, Bento XVI viajou para Paris e visitou o Santuário de Lourdes, onde se reuniu com doentes e rezou na Gruta das Aparições.

O papa retornou da França convencido, segundo disse, de que os tempos "são propícios para um retorno de Deus" e que a cultura e seus intérpretes são os vetores privilegiados do diálogo entre a fé e a razão, entre Deus e o homem.

Em outubro celebrou no Vaticano o segundo Sínodo de Bispos de seu pontificado. Participaram do evento 253 prelados, que reforçaram a opção da Igreja Católica pelos pobres, o reconhecimento do papel da mulher no anúncio da palavra de Deus e a ampliação do diálogo com judeus e muçulmanos.

Com o objetivo de fomentar o diálogo com o islamismo, cerca de 50 autoridades religiosas muçulmanas e católicas se reuniram em novembro no Vaticano.

Os presentes ao encontro destacaram a defesa da dignidade humana, da igualdade entre os homens e expressaram que os fundadores das religiões e mais imagens e símbolos que consideram sagrados "não podem ser motivos de brincadeiras ou de escárnio".

Ao longo deste ano, o Vaticano lembrou ainda os 50 anos da morte do papa Pio XII, em meio às críticas feitas por judeus, que acusam o pontífice de não ter elevado sua voz contra o regime de Hitler. EFE jl/fr

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG