IAUNDÊ - O papa Bento 16 conclamou, nesta quinta-feira, os cristãos e muçulmanos da África a rejeitaram a violência inter-religiosa. A viagem do pontífice ao continente continua sendo marcada por críticas a declarações contra o uso de preservativos.

Reuters
Fiéis cumprimentam Bento 16 em estádio onde ele rezou uma missa

Fiéis cumprimentam Bento 16 em estádio onde ele rezou uma missa

O papa iniciou seu terceiro dia de visita a Camarões reunindo-se com 22 líderes da comunidade muçulmana local. Em seguida, celebrou missa campal para dezenas de milhares de pessoas num estádio da cidade.

Em seu pronunciamento aos muçulmanos na Nunciatura Apostólica, o papa disse que ambas as religiões deveriam "rejeitar todas as formas de violência e totalitarismo".

"Que a entusiástica cooperação entre muçulmanos, católicos e outros cristãos em Camarões seja um farol para outras nações africanas de enorme potencial de um compromisso inter-religioso com a paz, a justiça e o bem comum."

Confrontos entre grupos muçulmanos e cristãos, ocasionados por uma eleição contestada, mataram centenas de pessoas em novembro do ano passado na cidade nigeriana de Jos.

Em janeiro deste ano, as autoridades sudanesas expulsaram uma ONG norte-americana da região de Darfur depois que autoridades encontraram bíblias em árabe na sede do grupo, sugerindo atividade proselitista.

O papa tem feito reuniões com líderes muçulmanos para tentar recuperar relações muito afetadas depois de um discurso do pontífice, em 2006, no qual ele parecia sugerir um caráter violento e irracional do Islã, o que provocou reações indignadas de muçulmanos de todo o mundo. No pronunciamento de quinta-feira, o papa disse que "religião e razão se reforçam mutuamente".

Polêmica dos preservativos

No terceiro dia da visita, a viagem pontifícia continua sendo ofuscada pela polêmica gerada no mundo todo por uma declaração de Bento 16, feita durante o voo de Roma a Camarões, dizendo que o uso de preservativos "aumenta o problema" da Aids, doença endêmica na África subsaariana.

Reuters
Crianças camaronesas seguram foto de Bento 16

Crianças camaronesas seguram foto de Bento 16

Um porta-voz do Vaticano defendeu a posição do papa, dizendo que ele estava meramente reiterando a doutrina de seus antecessores, segundo a qual a fidelidade dentro do casamento heterossexual e a abstinência são as melhores formas de evitar a Aids.

Mas vários governos, inclusive o da Alemanha - país natal do papa -, entraram na polêmica contrariando a posição do Vaticano, alguns deles com uma rara agressividade.

"Estou muito preocupado com o que aconteceu. Acho que isso é o contrário da tolerância e da compreensão, e lamento muito", disse na quarta-feira o chanceler francês, Bernard Kouchner.

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