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Papa prega verdade universal contra interesses particulares

O Papa Bento XVI preconizou neste sábado a verdade universal, que jamais deveria ser eclipsada pelos interesses particulares, ao falar às autoridades políticas e civis no castelo de Praga, no primeiro dos três dias de sua visita à República Tcheca.

AFP |

"A sensibilidade com a verdade universal jamais deveria ser eclipsada pelos interesses particulares, qualquer que seja sua importância: isto apenas conduzirá a novos exemplos de divisão ou de discriminação social que estes mesmos interesses ou grupos de pressão estão dispostos a aproveitar", afirmou o Papa durante sua visita à capital tcheca, que coincide com o 20º aniversário da "Revolução de Veludo", em Praga, e com a queda do Muro de Berlim.

Para Bento XVI, "longe de ameaçar a aceitação das diferenças e da pluralidade cultural, a busca da verdade torna possível um consenso, permite que o debate público seja racional, honesto e responsável, e garante uma unidade que as vagas noções de integração simplesmente não podem oferecer".

Bento XVI também opinou que 20 anos após a queda do Muro de Berlim, que representou o fim do comunismo em muitos países da Europa Oriental, "o processo de restabelecimento e de reconstrução segue, no contexto mais amplo da unificação europeia e de um mundo cada vez mais globalizado".

"As aspirações dos cidadãos e às expectativas postas nos governos apelam a novos modelos de vida cidadã e de solidariedade entre as Nações e os povos, sem os quais o futuro tão largamente desejado de justiça, de paz e de prosperidade seguirá sendo ilusório", acrescentou o Santo Padre.

O Papa também denunciou o "cinismo" e o "relativismo". "A história tem demonstrado amplamente que a verdade pode ser traída e manipulada a serviço das ideologias falsas, da opressão e da injustiça".

"Mas os desafios que a humanidade enfrenta não nos levam a ver mais além destes perigos?" - perguntou.

"Em definitivo, o que há de mais desumano e mais destruidor que o cinismo que pretendia negar a grandeza de nossa busca da verdade, e do relativismo que corrói os verdadeiros valores que inspiram a construção de um mundo unido e fraternal?" - perguntou o Papa aos fiéis de um país de longa tradição cristã, mas que no momento está muito distante da Igreja Católica.

Em sua visita ao Castelo de Praga, o Papa se reuniu, pela primeira vez, com o ex-presidente tcheco Vaclav Havel, artífice da queda do comunismo em seu país.

cj/LR

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