Papa pode ter ouvintes receptivos entre jovens católicos do EUA

Por Michael Conlon CHICAGO (Reuters) - O papa Bento 16 pode encontrar um público particularmente receptivo entre os jovens católicos que cresceram buscando uma identidade religiosa mais forte e talvez até mais conservadora, durante sua visita aos EUA na próxima semana.

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Muitos deles desejam algo mais do que a Igreja Católica de seus pais, que vivenciaram o período subsequente ao Concílio Vaticano Segundo (1962-1965), quando, nas missas, o latim foi trocado pelo inglês e o canto gregoriano pelas guitarras, afirmam especialistas.

Entre esses jovens, há muitos imigrantes da América Latina, da África e de outras regiões do globo que trouxeram consigo uma religiosidade mais tradicional, em meio à qual ocorrem orações e procissões que pareceriam algo antiquadas para a geração católica dos 'baby boomers.'

A visita do papa ao país, onde há 67 milhões de católicos, ocorre entre os dias 15 e 20 de abril, período durante o qual participará de cerca de dez eventos em Washington e em Nova York.

'Em geral, há entre os jovens -- os que têm 30 anos ou menos -- um desejo crescente por uma reafirmação da identidade católica', afirmou M Schmalz, professor de estudos religiosos na Faculdade da Santa Cruz em Massachusetts.

Mas não se trata de um mero retorno aos anos 50.

Essa é a 'geração João Paulo 2o', que aprova a mistura realizada pelo antigo papa de conservadorismo doutrinário e autoridade da Igreja com o que Schmalz descreveu como sendo 'uma preocupação mais radical com o testemunho cristão -- justiça social, direito à vida.'

'Essa geração pode defender, e muitas vezes o faz, o que poderíamos chamar de uma filosofia conservadora, mas nem sempre', acrescentou.

'Em alguns aspectos, trata-se de ser diferente de seus pais. O catolicismo lutou durante muito tempo na sociedade norte-americano para ser assimilado e aceito. E, nos anos 60, isso se deu', afirmou.

'Muitos jovens que cresceram procurando uma identidade sentem que explorar suas próprias tradições religiosas representa uma fonte de identidade. Em alguns aspectos, essa é uma reação contrária aos pais,' disse Schmalz.

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