Cristina Cabrejas Nova York, 19 abr (EFE).- O papa Bento XVI pediu hoje que a Igreja Católica americana comece um tempo de purificação, depois do escândalo envolvendo padres acusados de pedofilia, e pediu ainda que eles se esforcem pela defesa da vida.

Bento XVI retomou hoje o tema do escândalo da pedofilia por parte de sacerdotes durante a missa que celebrou na catedral de St.

Patrick, a primeira oficiada por um papa neste templo.

Diante de cerca de 3 mil pessoas, na maioria religiosos americanos, o papa lembrou que, durante esta viagem, falou do "dano" que estes casos causaram aos fiéis.

Acrescentou que, desta vez, queria expressar aos sacerdotes e religiosos sua "proximidade espiritual e ânimo para enfrentar os contínuos desafios surgidos por esta situação".

Bento XVI pediu ao clero americano que chegue agora a "um tempo de purificação para cada um, e para cada Igreja e comunidade religiosa, e também um período de cura".

"Incentivo que colaborem com os bispos, que continuam trabalhando eficazmente para resolver o problema", acrescentou.

O porta-voz do Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi, descartou hoje que o tema da pedofilia esteja sendo o principal da viagem de Bento XVI aos Estados Unidos, mas acrescentou que o tema está incluído na mensagem de esperança que o papa quis trazer ao país.

Lombardi disse que a mensagem do pontífice lançada durante a visita busca incentivar a Igreja a "encontrar o caminho para continuar seu trabalho" após o escândalo dos casos de pedofilia, assim como pretende que os fiéis se reconciliem com a mesma.

Além dos discursos, na sexta-feira passada, em reunião fora da agenda oficial, o papa se encontrou em Washington com cinco homens e mulheres que foram vítimas de padres pedófilos durante a infância.

Estes são gestos e palavras com as quais o chefe da Igreja Católica pretende curar a ferida deixada pelos casos de pedofilia envolvendo sacerdotes, que também custaram à Igreja local cerca de US$ 2 bilhões em indenizações.

Na homilia da missa na catedral de St. Patrick, o papa destacou os desafios que, segundo ele, a Igreja em geral, e em particular a americana, tem que enfrentar.

Entre eles, está levar e anunciar a esperança diante do "egocentrismo, avidez, violência e cinismo, que parecem sufocar muito freqüentemente o crescimento frágil da graça no coração das pessoas".

Também insistiu na necessidade de que a Igreja americana "proteja a vida e promova uma cultura em torno desta".

Durante a viagem, o papa também enfrentou este tema em seus discursos, e reprovou a atitude de alguns católicos americanos que "promovem um suposto direito ao aborto".

Entre os presentes hoje à catedral de St. Patrick estava o ex-prefeito de Nova York e ex-candidato à Presidência americana Rudolph Giuliani, católico divorciado e conhecido por suas posições a favor do aborto.

A imprensa americana destacou que Giuliani recebeu a comunhão durante a cerimônia, apesar de a Igreja Católica proibir esse ato aos divorciados que se casaram novamente.

A cerimônia de hoje teve um duplo significado, pois coincidiu com o terceiro aniversário do Pontificado de Bento XVI.

Por isso, no final da missa, o papa agradeceu aos fiéis por seu "amor", e disse que fará o possível para ser "um verdadeiro sucessor do grande São Pedro, um homem que tinha seus defeitos e seus pecados, mas que foi a pedra fundamental da Igreja".

"Com minha pobreza espiritual, e graças à ajuda de Deus, posso ser o sucessor de São Pedro", disse Bento XVI. EFE ccg/ev/an

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