Papa pede que missas africanas não distorçam a liturgia

Juan Lara. Yaoundé, 18 mar (EFE).- O papa pediu hoje aos bispos e padres da África que preguem dando exemplo, para que não haja diferença entre o que ensinam e como vivem, que defendam as famílias e se oponham ao divórcio, e que as alegres celebrações religiosas africanas não distorçam a liturgia católica.

EFE |

Bento XVI fez as declarações no discurso dirigido aos 30 bispos da Conferência Episcopal de Camarões, com os quais se reuniu em seu segundo dia na cidade de Yaoundé e diante dos quais ressaltou a importância da liturgia nas manifestações da comunidade católica africana.

"Estas celebrações são festivas e alegres, mas é essencial que as mesmas não sejam um obstáculo, mas um meio para entrar em diálogo e comunhão com Deus", afirmou o papa, que insistiu na necessidade de que sejam "dignas".

Desta forma, o papa expressou sua preocupação com a rica religiosidade africana, que muitas vezes inclui nas cerimônias ritos tradicionalmente tribais e os sobrepõe à liturgia católica.

Em um país onde os católicos são 26,7% da população (cerca de quatro milhões de fiéis), seguidos pelos muçulmanos, que são 22%, Bento XVI deu especial atenção à forte penetração das seitas pentecostais vindas da América, à proliferação dos movimentos esotéricos e à religiosidade supersticiosa.

Diante de tal situação, o papa convidou os membros do clero presentes a incentivar a formação dos jovens e dos adultos, especialmente dos universitários e intelectuais.

Se na terça-feira o pontífice voltou a condenar o aborto, hoje insistiu na defesa da família e reafirmou a indissolubilidade do casamento.

Para Bento XVI, "as dificuldades relacionadas ao impacto da modernidade e da secularização com a sociedade tradicional obrigam os valores tradicionais da família africana a serem preservados com determinação".

Lembrando que fica na África o seminário com maior número de aspirantes à vida religiosa - na Nigéria -, o papa pediu aos bispos uma "cuidadosa e severa" seleção de candidatos ao sacerdócio, para que não haja diferença alguma "entre o que ensinam e como vivem a cada dia" e assumam os compromissos contraídos.

Em um continente como a África, onde não ter mulher e filhos é visto como sinal de invalidez, muitos religiosos não levam uma vida coerente com as normas da Igreja, motivo pelo qual Bento XVI afirmou hoje que são necessários "homens maduros e equilibrados" para o sacerdócio.

O pontífice também destacou a ativa participação das associações femininas em vários setores da Igreja missionária, algo que, segundo ele, ressalta "dignidade" da mulher na sociedade e na vida eclesial.

O papa terá um encontro oficial com as mulheres africanas apenas na segunda parte de sua viagem, em Angola.

Bento XVI falou mais uma vez sobre globalização e afirmou que a Igreja continua defendendo as pessoas mais necessitadas e que a missão do bispo é ser o principal defensor dos direitos dos pobres, além de promover a caridade.

"A Igreja quer despertar a esperança nos corações dos excluídos e tem que contribuir para a construção de um mundo mais justo no qual cada um viva com mais dignidade", disse o papa.

Em um país onde existem mais de 200 etnias e em um continente marcado pelos conflitos étnicos, o papa disse que a Igreja Católica "exclui" qualquer tipo de etnocentrismo e contribui para a reconciliação e a cooperação étnica.

Hoje, Bento XVI celebrará a vigília para o Dia de São José na basílica de Maria Rainha dos Apóstolos junto a bispos, sacerdotes, religiosos, e representantes de outras igrejas cristãs, durante a qual deve fazer um apelo pela unidade dos cristãos. EFE jl/bba/db

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