Papa pede que fiéis se reconciliem com Igreja após escândalo de pedofilia

SÃO PAULO - O papa Bento 16, que visita os Estados Unidos desde terça-feira, realizou na manhã desta quinta-feira uma Santa Missa no National Stadium de Washington. O pontífice pediu aos católicos americanos que se reconciliem com a Igreja Católica após os casos de abusos sexuais de menores por padres.

Redação com agências internacionais |


Bento 16 chega ao estádio de beisebol no papamóvel / Foto: AFP

O líder da Igreja Católica reconheceu a "dor e o prejuízo causado" pelos escândalos e convidou os fiéis "a promoverem a recuperação e a reconciliação e a ajudarem os que foram prejudicados" e a "estimarem seus sacerdotes".

Cerca de 45 mil pessoas assistiram à missa, que teve início às 11h e terminou às 12h50 (horários de Brasília). Ainda nesta quinta-feira, o papa terá um encontro com o mundo universitário católico na "Catholic University of America", também na capital norte-americana, às 17h50 (horário de Brasília).

Ontem, dia em que completou 81 anos, o pontífice criticou os bispos americanos pela maneira como trataram os escândalos de abuso sexual de menores envolvendo padres. Antes do encontro com bispos, o papa foi recepcionado pelo  presidente George W. Bush, que afirmou que os EUA são um país de fé e de compaixão. Já Bento 16 pediu " diplomacia paciente ".

Em  comunicado divulgado pela Casa Branca após o encontro, Bush e Bento 16 concordaram que a luta contra o terrorismo deve empregar "os meios apropriados respeitando-se a pessoa humana assim como seus direitos". O papa também elogiou as raízes religiosas dos norte-americanos .

Mensagem do papa

"Os Estados Unidos se mostraram tradicionalmente generosos para satisfazer as necessidades humanas imediatas, promovendo o desenvolvimento e oferecendo alívio as vitimas de catástrofe natural", disse Bento 16.

"Confio que essa preocupação pela maior família humana vai continuar encontrando expressões em apoio aos esforços pacientes de diplomacia internacional para resolver conflitos e promover o progresso", indicou o sumo pontífice.

Como foi a recepção

A cerimônia de recepção do papa católico foi a maior já destinada a um chefe de Estado pelo metodista Bush em todo o seu mandato.

Mais de 9 mil pessoas foram à Casa Branca ver o papa. Houve uma salva de 21 tiros de canhão, e a soprano norte-americana Kathleen Battle apresentou uma versão cantada do 'Pai Nosso'. Bento 16 foi apenas o segundo papa a entrar na Casa Branca - João Paulo 2º o fez há quase 30 anos.

Já a reunião que acontecerá às 18h20 (horário de Brasília) com os bispos na Basílica Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, incluirá um pronunciamento em que o pontífice deve citar o escândalo de pedofilia no clero, que abalou a Igreja dos EUA nos últimos anos.

FJAF



Na terça-feira, durante o vôo para os EUA, Bento 16 disse a jornalistas que o caso lhe deixou 'profundamente envergonhado'. As dioceses norte-americanas já pagaram 2 bilhões de dólares em indenizações às vítimas dos abusos sexuais. O escândalo provocou uma insatisfação considerável entre os católicos dos EUA.

Apesar disso, o papa também deve reservar mensagens otimistas aos bispos. Durante o vôo, ele fez elogios aos EUA por darem espaço para a religião na vida pública, e disse que a Igreja norte-americana é uma força positiva.

Bento 16 e Bush têm em comum a oposição ao aborto e as pesquisas com células-tronco embrionárias, mas diferem em questões como a guerra do Iraque.

O Vaticano foi contra a ocupação, em 2003, mas agora considera a presença militar norte-americana como uma força estabilizadora, que ajuda a proteger minorias cristãs daquele país. 'Realmente não acho que o presidente planeje passar muito tempo falando das questões do Iraque com o papa', disse Perino.

'A questão de raiz do terrorismo e do extremismo é algo sobre o que eles vão falar.' Durante o vôo para os EUA, Bento 16 afirmou que pedirá a Bush que amplie a ajuda ao desenvolvimento de países pobres, para que seus cidadãos não tenham de emigrar.

Perino disse que os dois líderes devem discutir também formas de proteção aos direitos humanos, de combate ao extremismo, especialmente no mundo islâmico, e de promoção do diálogo ecumênico e da liberdade religiosa.

(*Com informações das agências Reuters, AFP e EFE)

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