Papa pede mudança de modelo de desenvolvimento diante de mudança climática

Cidade do Vaticano, 15 dez (EFE).- O papa Bento XVI disse que a humanidade não pode continuar indiferente à mudança climática e que é necessário que os países ricos diminuam o consumo de energia e que promovam as com menos impacto ambiental, e que haja uma mudança no modelo de desenvolvimento global.

EFE |

O pontífice fez as declarações em sua mensagem sobre o 43º Dia Mundial da Paz, que será realizado em 1º de janeiro de 2010 e que terá a natureza como tema. A mensagem do papa coincide também com a realização da Cúpula das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague.

Em sua mensagem, o papa afirma que "embora seja certo que devido à crueldade do homem contra o homem, há muitas ameaças para a paz e o desenvolvimento humano, como guerras, atentados terroristas e violações dos direitos humanos, não são menos preocupantes os perigos causados pela distração e pelo abuso da terra e dos bens naturais que Deus nos deu".

Por isso, afirmou que é "indispensável" que a humanidade renove e reforce a "aliança entre o ser humano e o meio ambiente".

"Como permanecer indiferentes diante dos problemas derivados da mudança climática, da desertificação, da deterioração e da perda de produtividade de amplas zonas agrícolas, da poluição dos rios, da perda da biodiversidade, do aumento de fenômenos naturais extremos, do desmatamento de áreas equatoriais e tropicais?", se perguntou o pontífice.

Bento XVI também se referiu às pessoas que têm que abandonar os lugares onde vivem, os "foragidos ambientais", por causa de sua deterioração, e disse que o homem tem que buscar uma solução.

Além disso, afirmou que a humanidade necessita "uma profunda renovação cultural, redescobrir os valores que constituem as bases para construir um mundo melhor", já que as crises que o mundo está atravessando atualmente, sejam de caráter econômico, alimentício, ambiental e social "são crise morais, relacionadas entre si".

O papa disse ainda que é necessário superar a lógica do mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e que "satisfaçam as necessidades primárias de todos".

"A crise ecológica é uma oportunidade histórica para mudar o modelo de desenvolvimento global seguindo uma direção mais respeitosa com a criação e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores próprios da caridade na verdade", afirmou. EFE jl/pd

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