Papa pede casas sólidas em região italiana atingida por terremoto

Juan Lara. Roma, 28 abr (EFE).- O papa Bento XVI visitou hoje as cidades da região italiana de Abruzzo, castigada há três semanas por um terremoto que matou 296 pessoas e deixou milhares de desabrigados, aos quais disse que a Igreja não os abandonará e pelos quais reivindicou, também por respeito aos mortos, casas sólidas.

EFE |

"A Igreja está toda aqui, representada por mim, a vosso lado, participando de vossa dor e desejosa de ajudá-los a reconstruir", afirmou o papa a centenas de desabrigados reunidos no povoado de Onna, que foi praticamente destruído, com a morte de 40 de seus 300 moradores, que o tornou símbolo do tremor.

Depois, em L'Aquila, capital da região e uma das cidades mais afetadas pelo terremoto, Bento XVI disse que a comunidade civil deve fazer "um sério exame de consciência para que seu nível de responsabilidade jamais diminua".

Segundo pesquisadores, muitas das construções realizadas na zona não respeitaram a norma contra os terremotos (Abruzzo é uma região de forte intensidade sísmica na cordilheira dos Apeninos) e foram a causa para tantas casas e prédios desabarem devido ao terremoto de 5,8 graus na escala Richter.

Três semanas depois do terremoto -devido, segundo ele, ao desejo de não atrapalhar os primeiros socorros e a remoção de escombros-, o papa completou hoje seu desejo de ir "pessoalmente" abraçar os desabrigados e rezar junto com eles pelas vítimas.

Joseph Ratzinger deveria sobrevoar de helicóptero todos os povoados, mas o mau tempo em Roma e Abruzzo, distantes apenas 88 quilômetros, obrigou-o a viajar de carro e, em seguida, em uma caminhonete da Defesa Civil.

A primeira etapa foi Onna, onde se dirigiu aos desabrigados em um palco improvisado numa praça e abraçou várias crianças.

Bento XVI disse que, apesar do compromisso de solidariedade manifestado por todas as partes, são muitos os problemas que os desabrigados têm que enfrentar, de viver em tendas de campanha e suportar o frio e a chuva, até enfrentar a dura realidade de havê-lo perdido tudo.

"A resposta não pode se limitar à emergência inicial, mas deve se transformar em um projeto estável e concreto no tempo. Encorajo todos, instituições e empresas, para que esta cidade e esta terra ressurjam", manifestou o papa.

De Onna, ele se transferiu a L'Aquila, onde visitou a basílica de Santa Maria di Collemaggio e a Casa do Estudante, outros dois símbolos do terremoto.

Santa Maria di Collemaggio é um dos templos mais avariados pelo terremoto e onde são guardados os restos de Celestino V -único papa que renunciou ao pontificado, em 1294- sobre os quais desabou a abóbada central da basílica, sem causar-lhes danos, porém.

Bento XVI entrou na basílica, cujo interior foi escorado, através da Porta Santa, acompanhado por bombeiros e agentes da Defesa Civil.

Após rezar por alguns momentos diante dos restos de Celestino V, doou seu pálio -manta de lã, símbolo do bispo Bom Pastor.

Em seguida, o papa foi ao quartel da Guarda de Finanças, na em Coppito -local do funeral de Estado das vítimas, em 10 de abril-, onde reuniu-se com centenas de desabrigados que vivem em tendas de campanhas.

Ali, ressaltou a importância da solidariedade e colocou uma rosa aos pés da patrona de L'Aquila, Nossa Senhora da Cruz. Quando descia para colocar o donativo, pisou na própria batina e perdeu o equilíbrio, não caindo somente porque foi segurado por seus assessores. EFE jl/jp

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