Papa não visita Israel por causa de crítica a Pio XII no Museu do Holocausto

Roma, 18 out (EFE).- O papa Bento XVI não visitará Israel enquanto não for suprimida a frase sob a foto de Pio XII no Museu do Holocausto que questiona a conduta do ex-líder da Igreja Católica ante o extermínio de judeus na Europa, revelou hoje Peter Gumpel, defensor da beatificação deste pontífice.

EFE |

A imprensa italiana publicou as declarações do jesuíta Gumpel sobre o desejo de Bento XVI de visitar Israel e sua recusa por causa do comentário sobre Pio XII (1876-1958), que foi papa entre março de 1939 e outubro de 1958.

"Até que a epígrafe seja eliminada Bento XVI não pode visitar Israel, pois seria um escândalo para os católicos", declarou Gumpel.

Após estas declarações, o porta-voz do Vaticano, o também jesuíta Federico Lombardi, afirmou que a epígrafe sobre Pio XII é algo "relevante", mas "não é um fato determinante" na decisão de uma possível viagem do papa a Israel.

Lombardi acrescentou que a viagem à Terra Santa é, como já se sabe, um "desejo" do papa, mas que ainda não se concretizou.

Na epígrafe em questão está escrito que quando os relatórios sobre o Holocausto chegaram ao Vaticano, Pio XII não reagiu nem com protestos escritos ou verbais, que em 1942 não se associou à condenação do extermínio formulada pelos Aliados e que também não interveio no episódio da deportação de judeus de Roma para Auschwitz.

Gumpel também explicou que Bento XVI está desacelerando a causa da beatificação de Pio XII, pois não quer prejudicar as relações com os judeus.

"A causa de beatificação de Pio XII foi concluída e falta apenas a assinatura de Bento XVI, mas prefere esperar, pois deseja manter as boas relações com os judeus", acrescentou o jesuíta e historiador.

No dia 9 de outubro, durante a missa que oficiou na basílica de São Pedro por ocasião dos 50 anos da morte de Pio XII, Bento XVI disse que o pontífice condenou desde o primeiro momento o nazismo e que em muitas ocasiões atuou de "forma silenciosa e secreta" para evitar "o pior" e salvar o maior número possível de judeus. EFE ccg/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG