Papa inicia nesta sexta viagem à França na qual visitará santuário de Lourdes

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 11 set (EFE).- O papa Bento XVI viajará nesta sexta-feira para Paris, primeira etapa de sua visita de quatro dias à França, que inclui também a ida ao santuário de Lourdes, na região dos Pirineus, onde recordará os 150 anos da aparição de Nossa Senhora.

EFE |

Bento XVI, que viaja como peregrino neste ano em que a Igreja Católica comemora o Jubileu, vai ao local como "mensageiro de paz e de irmandade" e rezará diante de Nossa Senhora, na Gruta das Aparições, pela paz no mundo, anunciou.

Antes de beber a água milagrosa de Lourdes, o pontífice tem um compromisso na capital, ato que terá caráter político, cultural e inter-religioso.

Este compromisso será de pouco mais de 24 horas, mas com uma acirrada agenda que inclui encontros com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o mundo da cultura, com os sacerdotes, um bem rápido com a comunidade judaica e outro com os jovens.

Esta será a segunda vez em que o papa se reunirá com Sarkozy, que visitou o Vaticano em 20 de dezembro de 2007.

Durante esta visita, Sarkozy ganhou o título de cônego de honra da Basílica de São João de Latrão, um privilégio que remonta a 1604, durante a monarquia francesa de Henrique IV e que passou aos presidentes franceses.

O presidente da França disse que seu país tem uma "laicidade positiva", na qual existe a "liberdade de crer ou não crer, de praticar uma religião ou a liberdade de mudar de credo, assim como a liberdade de não ser ofendido pelas próprias crenças ou de dar aos filhos uma educação segundo as próprias convicções".

Sarkozy acrescentou que esta "laicidade positiva" representa não considerar as religiões como um perigo, mas como uma vantagem.

Também disse que não se pode esquecer das raízes cristãs da França.

Suas palavras foram duramente criticadas em seu país.

Segundo o cardeal francês Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo inter-religioso, Bento XVI pronunciará "um claro discurso sobre a laicidade saudável" durante seu encontro com Sarkozy no Palácio do Eliseu.

Todos os olhares estão voltados para o discurso que será pronunciado diante de 700 representantes do mundo da cultura no Colégio dos Bernardinos.

Segundo Tauran, será um discurso "iluminador" e, de acordo com outras fontes do Vaticano, falará das raízes cristãs da Europa e do que representa o cristianismo para o Ocidente, assim como da relação entre fé e razão.

Mais uma vez os temas são Europa e a relação entre fé e razão, que tanto agradam ao papa, já que ele não se cansa de dizer que a Europa não pode e não deve renunciar a suas raízes cristãs, pois são componentes dinâmicos de sua civilização.

A estadia em Paris será concluída com uma missa na Esplanada dos Inválidos, com capacidade para 200 mil pessoas.

Na tarde de sábado o papa viajará para Lourdes, no coração dos Pirineus franceses, para participar do Ano do Jubileu por ocasião do 150º aniversário das aparições de Nossa Senhora à menina Bernadette Soubirous, em 1858.

Bento XVI sente-se muito ligado a Lourdes e a Bernadette, já que em 16 de abril, data de seu aniversário, é o aniversário da morte da menina, e 19 de abril, dia em que foi eleito pontífice, é o aniversário de morte da santa.

Segundo o Pontífice, Lourdes leva os homens "a meditar sobre o amor materno de Nossa Senhora da Conceição por seus filhos doentes".

Durante sua estadia, até o próximo dia 15, Bento XVI percorrerá as quatro estações do caminho do Jubileu: a igreja paroquial onde foi batizada Bernadette, o calabouço (a casa onde vivia a família Soubirous), a Gruta das Aparições e o oratório do hospital onde Bernadette fez a primeira comunhão.

Celebrará duas missas, uma no domingo, na pradaria de Lourdes, e outra na segunda-feira, dedicada aos doentes. Também participará da tradicional procissão das tochas.

Assim como todos os peregrinos, o papa tomará a água milagrosa do manancial, da qual mais de seis milhões de pessoas que vão ao santuário todos os anos bebem. Desta vez, são esperados mais de oito milhões de visitantes.

Lourdes está intimamente ligada ao dogma da Imaculada Conceição, depois que Nossa Senhora apareceu a Bernadette e esta lhe perguntou quatro vezes como se chamava: "Eu sou a Imaculada Conceição", teria dito a santa.

Mas a cidade também está relacionada ao rosário, já que Nossa Senhora carregava um quando apareceu, segundo a menina. "Passava entre seus dedos", o que fez com que ela começasse a rezar, tradição repetida todos os dias no santuário. EFE jl/fh/fal

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