O Papa Bento XVI partiu nesta terça-feira de Roma para Washington, primeira etapa de sua viagem de seis dias aos Estados Unidos, onde se reunirá com o presidente George W. Bush e fará um discurso na assembléia geral da ONU.

Em sua primeira viagem aos Estados Unidos, Bento XVI visitará a Casa Branca e celebrará duas missas em estádios, uma quinta-feira em Washington e outra no domingo em Nova York.

O presidente George W. Bush reserva para Bento XVI uma recepção excepcional, na segunda visita de um Papa à Casa Branca, anunciou a assessoria da presidência.

Pela primeira vez, em mais de sete anos de presidência, Bush e sua mulher, Laura, farão, nesta terça-feira, o trajeto entre a Casa Branca e a base aérea de Andrews, no sudeste de Washington, para receber o Papa, em sua condição de chefe de Estado, quando descer do avião.

Entre 9.000 e 12.000 convidados são esperados nesta quarta-feira nos jardins da Casa Branca, se o tempo permitir, para a cerimônia de boas-vindas. O número é bastante acima dos 7.000 convidados que receberam com grande pompa, em maio de 2007, a rainha Elizabeth II, da Inglaterra, e talvez até mais do qualquer outro evento desse tipo na presidência Bush.

Na semana passada, em entrevista a uma rede de TV católica, o presidente explicou as honras reservadas ao Papa: "porque é uma pessoa realmente muito importante de vários pontos de vista. Em primeiro lugar, fala para milhões de pessoas. Em segundo lugar, não vem como homem político, vem como homem de fé. E, em terceiro lugar, subscrevo tanto esta noção de que na vida há o certo e o errado, que o relativismo moral compartilha o perigo de minar as possibilidades de ter sociedades feitas de liberdade e de esperança, e quero honrar minhas convicções".

Apesar das diferenças entre Washington e o Vaticano, as convicções religiosas de Bush (ainda que seja protestante) e a influência considerável delas em suas políticas ajudam a questionar se Bush não poderia ser considerado o primeiro presidente católico americano.

A polícia americana adotou medidas de segurança excepcionais para a visita e trabalhará em estreita colaboração com os serviços secretos e os membros da Guarda Suíça, responsáveis pela proteção do Papa, durante os seis dias da estadia pontifícia.

O número de oficiais não foi revelado, mas a polícia anuncioi que incluirá homens-rã no East River, franco-atiradores nos terraços, helicópteros e carros blindados.

Brian G. Parr, diretor do serviço secreto para Nova York, responsável pela segurança das personalidades estrangeiras, disse que será adotada uma restrição de vôos a menos de 1.000 metros em três locais que serão visitados pelo Papa: o seminário de São José sábado de manhã, o "Marco Zero" e o estádio dos NY Yankees (time de beisebol da cidade) no domingo.

O chefe de polícia de Nova York, Raymond Kelly, comparou o dispositivo de segurança com o adotado em 2004 para a convenção do Partidos Republicano na cidade.

Além da verificação das identidades, serão instalados detectores de metais em todos os eventos da visita.

Ao contrário da primeira visita do João Paulo II ao país, que em 1979 presidiu uma missa em parque aberto no sul de Manhattan, a entrada dos eventos será estritamente controlada.

Outra visita de João Paulo II a Nova York em 1995, a primeira depois da tentativa de atentado de que foi vítima na praça São Pedro de Roma em 1981, também foi relativamente aberta, com uma missa no Central Park para 100.000 fiéis.

Os outros eventos importantes incluem uma visita ao "Marco Zero", área onde ficavam as Torres Gêmes do World Trade Center destruídas nos atentados de 11 de setembro de 2001, um encontro com dirigentes da comunidade judaica em Washington e uma visita à sinagoga de Park East em Manhattan, à convite do rabino Arthur Schneier.

Os grandes desafios para a polícia serão a missa do Papa em dois estádios, em Washington em 17 de abril e no estádio dos Yankees em Nova York três dias mais tarde.

A segurança nos dois locais será implacável, com ingressos de entrada intransferíveis com códigos de barra. O FBI exige que os fiéis compareçam seis horas antes do início das cerimônias.

Os fiéis serão bem menos numerosos que no passado. A arquidiocese de Washington emitiu 46.000 ingressos para a missa de 17 de abril. Em 1979, 175.000 assistiram a cerimônia de João Paulo II.

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