Papa esclarece sua decisão de suspender excomunhão de bispo negacionista

O Papa Bento XVI esclarece em uma carta dirigida a todos os bispos do mundo as razões pelas quais decidiu suspender a excomunhão, em janeiro, de quatro padres integristas, entre os quais o bispo que negou o Holocausto, informou nesta sexta-feira a imprensa local.

AFP |

A carta do Papa será divulgada nos próximos dias, segundo o jornal Il Foglio, habitualmente bem informado em assuntos vaticanos e que antecipa em sua primeira página trechos inteiros da missiva.

A assessoria de imprensa da Santa Sé, como é tradição no caso de vazamento de notícias, não confirmou ou desmentiu a informação.

Na carta, o Papa reconhece que ficou muito "magoado pela veemência das críticas" que gerou a decisão de suspender a excomunhão dos bispos do movimento ultraconservador fundado pelo monsenhor Marcel Lefebvre, entre eles o britânico Richard Williamson, que nega a existência das câmaras de gás dos nazistas.

"Fiquei muito triste quando soube que católicos, que no fundo deveriam conhecer melhor do que outros como era a situação, me atacaram com hostilidade", teria escrito o Papa, segundo o jornal.

Na carta, o Papa agradece aos "amigos judeus", que contribuíram para esclarecer o mal-entendido e reinstaurar uma atmosfera de amizade e confiança.

Bento XVI reconhece que "o alcance e os limites dessa decisão não foram explicados de forma clara e suficiente" antes da reintegração dos religiosos à Igreja.

O chefe da Igreja católica assegura que tomou a decisão pensando, antes de tudo, na "unidade dos fiéis" e para evitar que os integristas, que contam com "491 sacerdotes, 215 seminaristas, 117 religiosos, 164 religiosas e milhares de fiéis" fossem levados "à deriva, longe da Igreja".

bur-kv/cn

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