Teresa Bouza Washington, 14 abr (EFE).- Quando Bento XVI iniciar amanhã sua primeira visita aos Estados Unidos como papa encontrará uma Igreja que tenta se recuperar dos escândalos de natureza sexual dos últimos anos e também uma comunidade mais dinâmica, graças à explosão demográfica dos hispânicos.

O primeiro destes fatores, os abusos sexuais, ameaça se transformar um dos assuntos mais espinhosos da viagem de seis dias que o pontífice iniciará amanhã.

Na verdade, um grupo que representa cerca de nove mil americanos que garantem ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes exigiu esta semana que o Papa atue contra os padres pedófilos.

"Esperamos que o santo padre responsabilize os que agiram de forma indevida e os que permitiram isto", afirmou Barbara Blaine, presidente da Survivors Network of those Abused by Priests (Rede de Sobreviventes de Abusos de Sacerdotes, em tradução livre), em entrevista coletiva na última terça em Washington - a primeira das duas paradas da viagem do líder da Igreja Católica, que também visitará Nova York.

As dioceses americanas desembolsaram centenas de milhões de dólares para enfrentarem os processos que surgiram após o início do escândalo de abusos sexuais há seis anos, que teve como ponto de partida o caso do arcebispo de Boston, Bernard Law, que confessou ter protegido um padre que abusou de jovens de sua congregação.

A confissão de Law fez com que fossem revelados outros casos similares, o que provocou a pior crise da história da Igreja Católica americana, que viu várias de suas dioceses se declararem em quebra por causa das compensações milionárias para as vítimas de abusos sexuais.

Apesar da controvérsia, as pesquisas indicam que Bento XVI receberá uma recepção mais calorosa nos EUA do que as que teve em alguns países europeus.

Segundo uma pesquisa do Pew Forum on Religion and Public Life divulgada no início deste mês, 52% dos americanos têm uma opinião favorável ao papa.

Entretanto, três em cada dez americanos afirmam não saber o suficiente de Bento XVI para emitir um julgamento sobre ele.

Entre os habitantes dos EUA que esperam com maior interesse a visita do pontífice está a comunidade hispânica, que, segundo todas as previsões, se tornará a principal fonte de crescimento da Igreja Católica americana nas próximas décadas.

Estudos realizados pelo Pew Hispanic Center prevêem que em 2050 haverá mais de 130 milhões de latinos nos EUA, mais que o triplo que existia em 2005.

Estas projeções indicam que os latinos representarão 29% da população americana em 2050, diante do 14% de 2005.

A imigração explica que a percentagem de americanos que se identificam como católicos permaneceu estável durante as últimas décadas (cerca de 25% da população), apesar de nenhuma outra confissão ter perdido mais fiéis.

O Pew Center diz em um relatório publicado no final de março que quase um terço (31,4%) dos adultos americanos declaram ter sido criados na fé católica. Mesmo assim, apenas 23,9% dos adultos afirmam fazer parte da Igreja Católica, uma perda de 7,5 pontos percentuais.

O estudo diz que esta fuga de fiéis foi compensada com a chegada de novos crentes, na maior parte imigrantes.

Desta forma quase a metade de todos os imigrantes nos EUA (46%) são católicos, em comparação aos membros da Igreja Católica nascidos no país, 21% da população americana, diz o relatório.

Deste grupo, a maior parte, 82% dos católicos imigrantes, nasceu na América Latina e 52% deles procedem de um único país, o México.

O Papa deve se reunir durante sua visita com o presidente dos EUA, George W. Bush, e no dia 18 deve comparecer à sede das Nações Unidas, em Nova York, dois dos eventos de maior destaque de sua movimentada agenda oficial. EFE tb/fal

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