Papa encerra visita à Alemanha com pedido de união a católicos

Missa em Freiburg reúne 100 mil, mas decepciona quem esperava postura progressista; Vaticano desmente que papa pense em renunciar

iG São Paulo |

O papa Bento 16 encerrou neste domingo sua visita oficial à Alemanha pedindo união aos católicos durante uma missa no aeroporto da cidade de Freiburg, acompanhada por cerca de 100 mil fiéis.

AP
Papa é recebido por fiéis no aeroporto de Freiburg, na Alemanha, antes de celebrar missa

"A Igreja na Alemanha continuará sendo uma benção para todo o mundo católico se permanecer fielmente unida" afirmou. "A Igreja será concreta se as paróquias, as comunidades e os movimentos se apoiarem e enriquecerem mutuamente, se os batizados e os confirmados, junto aos bispos, mantiverem elevada a chama de uma fé inalterada e deixarem que ela ilumine os conhecimentos e as capacidades."

Em Freiburg, alguns fiéis manifestaram decepção com as mensagens do papa durante a visita. "Esperava que ele pudesse levar as pessoas à Igreja, especialmente os jovens", afirmou Martine Kircher, 50, que levou seus quatro filhos para ver Bento 16. "Mas ele não mostrou sinais de renovação. Em vez disso, parece estar remando de volta aos antigos valores."

Holder Gasch, 37, outro fiel que foi à missa neste domingo, disse que a Igreja “precisa ser mais progressista em sua atitude em relação ao homossexualismo e às mulheres".

Ao longo da visita, que o levou a Berlim e Erfurt, na ex-Alemanha Oriental, o papa convidou reiteradamente a Igreja a dar mostras de fervor e convicção nesse país marcado pelo secularismo.

Pesquisas indicam que cerca de 181 mil alemães deixaram a Igreja neste ano, um recorde. Pela primeira vez, esse número superou os que chegaram à Igreja e os que deixaram as igrejas protestantes. Mesmo em uma sociedade cada vez mais secularizada, as igrejas católica e protestante são grandes instituições na Alemanha. Cerca de um terço da população é católica, outro terço é protestante e o restante é composto por pessoas sem religião ou de grupos como muçulmanos e judeus.

Os casos de abuso sexual e pedofilia envolvendo padres foi um dos mais comentados durante a visita. No início da viagem, Bento 16 disse que a Igreja era feita de "peixes bons e peixes maus" e exortou os católicos a não deixar a fé por causa dos escândalos.

A Igreja na Alemanha recebeu quase 700 pedidos de indenização por vítimas de abuso sexual e psicológico. Na sexta-feira, Bento 16 realizou uma visita a vítimas de abuso em Erfurt.

Vaticano desmente renúncia

O Vaticano desmentiu uma reportagem publicada neste domingo pelo jornal italiano Libero afirmando que o pontífice consideraria renunciar ao cargo em abril do próximo ano, quando completa 85 anos. "A saúde do papa está excelente", disse o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi. "Não sabemos nada sobre isso. Pergunte para a pessoa que escreveu isso."

Sem citar nenhuma fonte ou motivos, o escritor católico Antonio Socci publicou essa informação no jornal, afirmando que o papa "teme não poder assumir o peso de sua carga". "Ele pensa em demitir-se em abril, mas tem de aguentar", afirmou no jornal conservaodr milanês, dizendo que a informação é um boato que "circula nos escritórios mais importantes do Vaticano".

Em um livro no ano passado, o papa disse que não hesitaria em se tornar o primeiro pontífice a renunciar em mais de 700 anos se não se sentisse mais apto , "física, psicológica e espiritualmente", a liderar a Igreja Católica.

Lombardi disse que o papa "estava indo muito bem" durante a viagem à sua terra natal, a Alemanha. "É claro que ele ainda é capaz de lidar com compromissos muito difíceis", afirmou. Diversos papas na história recentes, incluindo o último, João Paulo 2º, consideraram renunciar por razões de saúde.

Com Reuters e AFP

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